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Jornalista e fotógrafo José Luís Jorge, natural de Leiria, está a percorrer a pé toda a raia entre Portugal e Espanha

21 mar 2022 14:06

A segunda etapa do percurso ligará Barca D’Alva a Malpica do Tejo

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No final da caminhada, José Luís terá andado cerca de 1400 quilómetros
Instagram @joséluisjorge1
Redacção/Agência Lusa

O jornalista freelancer e fotógrafo José Luís Jorge começa, na sexta-feira, em Barca D’Alva, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, a segunda etapa de uma caminhada que o leva a percorrer a pé a linha de fronteira.

A aventura pode ser seguida aqui

José Luís Jorge, de 59 anos, é natural de Leiria, colabora com o JORNAL DE LEIRIA e iniciará, na sexta-feira, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, a segunda etapa do projecto “Linha de Fronteira: da Foz do Rio Minho à Foz do Rio Guadiana”, que ligará Barca D'Alva a Malpica do Tejo/Barragem de Cedilho, no concelho de Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco.

Entre 27 de Setembro e 29 de Outubro de 2021, o fotógrafo cumpriu a primeira etapa, entre a foz do rio Minho e Barca d`Alva, com cerca de 550 quilómetros.

Na sexta-feira, iniciará a segunda etapa, com a distância aproximada de 350 quilómetros, que prevê concluir no dia 14 de abril.

O périplo, sempre feito a pé e com alojamento nos locais de passagem, inclui 16 etapas, algumas paragens e duas palestras, uma delas na Biblioteca Municipal do Sabugal.

O percurso pela linha de fronteira entre Portugal e Espanha inclui as etapas Barca d'Alva/Figueira de Castelo Rodrigo, Figueira de Castelo Rodrigo/Almeida, Almeida/Vilar Formoso, Vilar Formoso/Aldeia da Ponte (Sabugal), Aldeia da Ponte/Foios, Foios/Sabugal, Sabugal/Meimoa (Penamacor), Meimoa/Penamacor, Penamacor/Monsanto (Idanha-a-Nova), Monsanto/Termas de Monfortinho, Termas de Monfortinho/Salvaterra do Extremo, Salvaterra do Extremo/Segura, Segura/Rosmanhinal, Rosmanhinal/Monforte da Beira (Castelo Branco), Monforte da Beira/Malpica do Tejo e Malpica do Tejo/Barragem de Cedilho.

Durante o trajecto pela raia, José Luís Jorge tira fotografias, faz vídeos e conversa com pessoas que encontra no território.

“Inicialmente, pensei fazer o percurso de uma vez só, ou seja, começar numa ponta e terminar na outra, mas depois optei por dividir o percurso em três etapas: uma a norte do rio Douro, outra entre o Douro e o Tejo, e outra a sul do rio Tejo”, relatou.

A primeira etapa terminou em Barca D’Alva, onde o fotógrafo agora regressa, para dar seguimento ao caminho.

José Luís Jorge vai sozinho, de mochila às costas, para “tentar perceber o que significa a fronteira nos dias de hoje” e “o que significa viver na raia”.

O fotógrafo lembrou que tudo começou por a linha de fronteira, que se estende por mais de 1.300 quilómetros, numerados pelos chamados ‘Marcos de Fronteira’, lhe suscitar curiosidade “há anos”.

Segundo o responsável, o “Linha de Fronteira: da Foz do Rio Minho à Foz do Rio Guadiana” tem “um duplo enfoque, reúne o passado e o presente”.

“O passado, porque, certo dia, descobri o ‘Livro das Fortalezas’, uma obra do início do século XVI, e fiquei entusiasmado com a possibilidade de andarilhar o mesmo percurso de Duarte d'Armas, que, em 1509 /10, a mando de D. Manuel I, percorreu toda a fronteira desenhando as fortalezas do Reino de Portugal aí instaladas. Alimenta-se do presente, pois desafiava-me o desejo de entender o que significa a fronteira, agora que a integração de Portugal e de Espanha na União Europeia permite a livre circulação de pessoas e de bens”, explicou.

Desde o princípio foi sua intenção “recolher testemunhos, fazer fotografias e vídeos, documentando de forma abrangente o território raiano e as populações que nele habitam”.

No final do percurso pela raia, o fotógrafo de Leiria editará uma obra sobre a viagem realizada em três fases.

A última e terceira etapa do projecto, com 500 quilómetros, será realizada em Maio e Junho.