Entrevista

Alexandre Tavares: “A resiliência é um dos grandes desafios dos sistemas de abastecimento de água"

16 out 2020 12:14

Para o presidente da Águas do Centro Litoral (AdCL), as descargas poluentes nas linhas de água “não são devidas à inexistência de soluções” e os leirienses devem ter “orgulho” na ETAR das Olhavas.

Maria Anabela Silva

A Águas do Centro Litoral (AdCL) foi criada há cinco anos, resultante da agregação de três sistemas multimunicipais: Lis, Aveiro e Baixo Mondego-Bairrada. Que ganhos trouxe esta agregação?
Aquando da agregação, os três sistemas tinham graus de maturidade distintos. Na Simlis [Leiria] e na SimRia [Aveiro] havia uma infraestruturação que não existia no Mondego. Nestes cinco anos, conseguiu-se uma uniformização de processos e a aproximação dos níveis de maturidade dos sistemas, ao nível da manutenção de equipamentos e de investimento em novos, que só uma empresa regional tem escala para concretizar. O desígnio de constituirmos uma empresa regional que no conjunto é melhor do que as parte cumpriu-se. O programa nacional de recuperação e de resiliência prevê investimentos significativos para o ciclo da água, mas só as empresas com escala, em termos de infra-estruturas e de corpo técnico, terão capacidade de resposta, porque o tempo de execução será curto.

Falou de investimentos novos. O que está previsto para a região de Leiria?
No próximo quinquénio, a AdCL pretende investir entre 85 a 100 milhões. É um volume avultado, que não poderá esquecer o investimento em novos equipamentos, que os municípios ambicionam e que o território exige. Depois, é necessário requalificar e manter o que já existe. Este é um sector que exige uma actualização permanente de equipamento. Para a região doLis, as grandes apostas passarão pela requalificação, melhoria e optimização de sistemas. Até final de 2021, estão previstos investimentos de 11,4 milhões nesta região (Porto de Mós, Ourém, Batalha, Leiria, Marinha Grande e Ansião).

Para onde será canalizado essa verba?
Uma das apostas será a remodelação e manutenção de estruturas de tratamento do saneamento, com investimento preventivo. Por exemplo, na ETAR do Coimbrão, há intervenções previstas na ordem dos 3,6 milhões de euros. A operação de saneamento é muito exigente do ponto de vista do desgaste do equipamento. O abastecimento de água terá também uma grande fatia. A situação que temos hoje no concelho de Leiria é consideravelmente melhor do que aquela que existia. Temos fontes de captação e de distribuição muito mais resistentes e resilientes. E os munícipes sentem isso. Não há oscilações de qualidade e da quantidade de água fornecida. Está previsto um novo furo na ETA [Estação de Tratamento de Água] do Paul [Monte Redondo], para tornar o sistema ainda mais resiliente. É importante diversificar as fontes. Vamos também reforçar a capacidade das captações de Amor e intervir na ETA da Ribeira de Alge. Neste último caso, o investimento rondará dois milhões de euros e pretende fortalecer o sistema de abastecimento em Ansião. Em cima da mesa está também a extensão do fornecimento de água à Maceira através do sistema da AdCL, que envolverá uma nova estação elevatória, em Parceiros, e um reservatório na Cruz da Areia. A resiliência é um dos grandes desafios dos sistemas de abastecimento de água.

Com o sistema montado actualmente, o risco de Leiria voltar a ficar sem água, como aconteceu em 2002, está afastado?
Temos uma capacidade para disponibilizar água em quantidade e em qualidade, que nos deixa tranquilos. Mas queremos ir mais além, preparando a resposta para as novas necessidades e para os anos mais secos, previsíveis no contexto das alterações climáticas.

<

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Sabia que pode ser assinante do JORNAL DE LEIRIA por 5 cêntimos por dia?

Não perca a oportunidade de ter nas suas mãos e sem restrições o retrato diário do que se passa em Leiria. Junte-se a nós e dê o seu apoio ao jornalismo de referência do Jornal de Leiria. Torne-se nosso assinante.

Já é assinante? Inicie aqui
ASSINE JÁ