Entrevista

Duarte Costa: “Este é um século derradeiro para a existência no planeta”

30 abr 2026 08:30

O especialista em alterações climáticas avisa que os fenómenos meteorológicos extremos serão mais comuns e apela à cidadania das pessoas da região de Leiria para melhorar a capacidade de preparação

De que forma a depressão Kristin se enquadra no padrão actual de eventos meteorológicos extremos?
A depressão Kristin é um fenómeno raro. A grande destruição foi causada por um sting jet, um fenómeno muito destrutivo e raro. Não era totalmente imprevisível. Desde domingo daquela semana, havia projecção que um fenómeno altamente destrutivo ia chegar a Portugal, mas não se sabia exactamente onde. É um fenómeno que pode vir a ser mais frequente com as alterações climáticas, porque temos um oceano atlântico mais quente e as águas mais quentes alimentam as tempestades. Por outro lado, também tínhamos uma corrente de jacto que estava numa posição estacionária, na direcção da Península Ibérica, o que fez com que várias tempestades fossem encaminhadas para Portugal. Há estudos que indicam que quando temos uma tempestade forte a vir na direcção do nosso País neste período do ano, é provável que venham outras.

Os alertas foram suficientes e claros?
A resposta a essa pergunta foi dada por cada uma das pessoas que foi impactada por este evento e que não esperava que fosse destrutivo desta maneira. Os países têm adaptado os seus sistemas de alerta para estes fenómenos. Por exemplo, a Nova Zelândia, há dois anos, teve uma espécie da Kristin, que foi o ciclone Gabrielle, com grande destruição, perda de vidas humanas e o país ficou em choque. Este ano tiveram o ciclone Vaianu, e a preparação do país foi completamente diferente. O meu sonho é que possamos fazer como a Nova Zelândia e dotar o País de uma outra forma de preparação. Na Nova Zelândia, cinco dias antes deste ciclone chegar, o primeiro-ministro fazia uma declaração – e a protecção civil e a meteorologia já o tenham feito antes - a explicar que o fenómeno ia chegar, sem eufemismos. Afirmou que seria um fenómeno com ventos que podiam tirar a vida. ‘Confie nos seus instintos de segurança, não fique à espera de instruções das autoridades’. Nós dizemos às pessoas para esperarem os avisos, que muitas vezes não passam de um ‘fique atento’. Precisamos de antecipação na comunicação, de clareza sobre os impactos e de que acções preventivas podemos tomar em antecipação. Desta vez foi em Leiria, mas da próxima vez pode ser em pleno horário do dia e numa região mais populosa como Lisboa.

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