Entrevista

“O Estado despreza muito a área social”

29 nov 2019 08:00

Carlos Poço , provedor da Misericórdia de Leiria, assume a recandidatura e chama a atenção para a situação precária que enfrentam as instituições sociais

Maria Anabela Silva

Está a concluir o seu primeiro mandato. O que considera mais marcante?

Foi um mandato agridoce. Conseguimos atingir os objectivos a que nos propusemos a nível financeiro, de pôr a instituição, nomeadamente o Hospital D. Manuel de Aguiar, a dar resultados positivos, e de assegurar a sua sustentabilidade. O sabor desagradável vem do facto de não termos podido avançar com os grandes projectos que tínhamos, que serão remetidos para o segundo mandato ao qual me irei recandidatar. Não houve, de todo, condições para fazermos mais.

Quando, há quatro anos, assumiu a liderança da Misericórdia, um dos objectivos a que se propôs era o de pôr a área da saúde a libertar verbas para o social. Isso já está a ser conseguido?

De facto, uma das nossas preocupações era que a área social não andasse a financiar a da saúde. Já estamos a conseguir que o sector da saúde liberte verbas para as valências sociais. Pensamos que, no próximo ano, isso será conseguido de forma mais acentuada. Estes resultados são reflexo da gestão que adoptámos, onde se inclui a redução de custos supérfluos e a promoção dos nossos serviços. Procurámos também novos clientes e novos acordos.

Estão previstas novas valências no hospital?

Estamos permanentemente a procurar novas especialidades, mas só na área das consultas. Não podemos, fisicamente, instalar mais valências. Temos um grande potencial de crescimento na área cirúrgica e no sector da imagiologia, cuja capacidade instalada está ainda subaproveitado. O objectivo é procurar mais mercado para essa área.

Chegou a ser anunciada a possibilidade de um protocolo com uma entidade angolana.

Não avançou. Como sabemos, Angola tem tido muitos ziguezagues e não houve condições para prosseguir com esse acordo de princípio.

Foi apresentado, na semana passada, o orçamento e plano de actividades da Misericórdia para o próximo ano. Quais são as principais apostas?

A grande prioridade é a melhoria das condições dos utentes da área social, com o início de uma grande obra: a requalificação do Lar de Nossa Senhora da Encarnação. A intervenção contempla sobretudo melhoria das condições de conforto e da poupança e eficiência energética. Será um investimento na ordem dos três milhões de euros, que pretendemos concretizar até meados de 2021. Para isso, apresentámos uma candidatura, já aprovada, ao Portugal 2020, e temos uma outra em preparação ao programa PARES. A empreitada poderá também implicar gastos adicionais, com a deslocação de utentes para outra instituição durante o período de obras.

Que financiamento já têm assegurado para as obras do lar?

Do Portugal 2020, temos garantidos 677 mil euros. O restante terá de ser financiado ou através do novo programa PARES ou com recurso à banca e capitais próprios. A dívida à banca, que há quatro anos, era um grande constrangimento, ficou perfeitamente controlada a partir do segundo ano do nosso exercício. Já conseguimos cumprir e ainda libertar meios para os capitais próprios.

Com a casa arrumada e com a situação financeira controlada, quais são agora as prioridades da instituição, que está a assinalar 475 anos?

O nosso foco são as pessoas e a prioridade passa, inevitavelmente, por dar-lhes melhores condições, a começar pela grande obra no lar. Vamos continuar a ter um foco muito dirigido ao serviço de apoio domiciliário, que queremos que seja diferenciador e de excelente qualidade, e a outros projectos destinados aos mais ca

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