Entrevista

Sérgio Leandro: “As patentes morrem quase todas na praia”

20 jun 2021 15:12

Apaixonado pela ciência e pelo mar, o coordenador científico do Smart Ocean admite ser este o projecto da sua vida

Sérgio Leandro
Ricardo Graça
Daniela Franco Sousa

Se cá voltasse, o que diria Jacques Cousteau?
Como grande impulsionador da divulgação do mar, dos oceanos, do mergulho, julgo que ficaria surpreendido pela positiva. Foi revolucionário. Conseguiu sensibilizar a comunicação social e a sociedade para a importância que os oceanos assumem. Ele fê-lo através da beleza que conseguiu transmitir nas suas imagens. Hoje, conseguimos fazê-lo com tecnologia que em nada se compara, mas foi ele que desencadeou esse interesse. E, pelo facto de conhecermos mais sobre os oceanos, também estamos hoje mais alerta para aquilo que são as suas ameaças.

O que conseguimos mudar nos últimos 20 anos?
A sociedade tem cada vez mais consciência de que os oceanos são importantes. Nós, cientistas, tentamos transmitir que da integridade dos oceanos depende o bem-estar e a saúde da humanidade. E isso é cada vez mais visível: seja a importância dos oceanos ao nível da regulação do clima; do fornecimento de proteína para alimentação humana; das várias actividades, entre as quais o comércio marítimo; também ao nível da produção de oxigénio. Até há bem pouco tempo, julgava-se que eram as florestas o maior produtor de oxigénio, mas chegámos à conclusão que são as microalgas e as algas, que estão nos oceanos, que produzem grande parte do oxigénio que o homem respira.

Apesar de conhecermos mais, continuamos num processo destrutivo...

Apesar de sabermos mais, continuamos com a sobre-exploração dos recursos da pesca. Há também a questão das alterações climáticas, da emissão de dióxido de carbono, da destruição de habitats, da perda da biodiversidade. Tudo na natureza tem um significado e se os organismos existem não é porque têm cores bonitas. Cumprem uma função clara. Há minúsculos organismos, dos quais, no final, depende o homem. Mas dos quais também depende toda a biodiversidade dos oceanos.

Quais são os agentes mais difíceis de convencer?
Ainda é a componente económica. Porque damos por garantido aquilo que os oceanos nos dão, sem ter consciência da sua fragilidade, sem entender que, se deixarem de ser produtivos, toda a economia cai. E que se perdermos certas valências dos oceanos, prejudicamos a nossa saúde e colocamos em risco a nossa própria sobrevivência.

Mas talvez não baste convencer os agentes econ&oac

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