Entrevista

Tó Trips: “Um gajo tem de pelo menos uma vez na vida tentar fazer aquilo de que gosta”

15 mar 2024 09:00

Trocou um emprego estável pela música e depois de bandas como Ladrões do Tempo e Dead Combo continua a experienciar o sonho: ser guitarrista (Foto de Ricardo Graça)

“Resistir não é ser contra tudo e contra todos, é não deixar morrer uma certa intervenção na sociedade”
Ricardo Graça

Nasceu há 58 anos e a partir de Lisboa tem deixado marca na música portuguesa, através da guitarra, ao longo das últimas décadas. Com os Club Makumba, acaba de lançar Sulitânea Beat, o segundo álbum da banda. Antes, com Dead Combo, viveu o período de maior aceitação pelo público. Tó Trips começou nos Amén Sacristi (ainda no liceu) e passou por Santa Maria Gasolina em Teu Ventre! antes de formar os Lulu Blind nos anos 90. Entre outros projectos, também já gravou a solo.

Sulitânea Beat. Um álbum mais experimental?
Sim, tem uns laivos mais experimentais. Mais psicadélico, mais de improvisação, também, tem mais essas janelas.

Estiveram em residência. O vosso processo é mais espontâneo do que pré-orientado?
É à antiga. Chegas com uma malha, eu chego com outra, e depois tentamos ver o que é que dá. Como trabalhei em publicidade tenho um bocado essa escola, dos brainstormings. Nós temos que ter aqui uma ideia, portanto, é proibido alguém julgar alguém, podes dizer a maior parvoíce deste mundo. As residências são isso porque passas 24 horas sobre 24 ali a falar sobre o assunto e a matutar sobre as coisas.

E a essência deste álbum está nessa semana?
Sim. Havia umas malhas que já vinham de soundchecks [testes de som, tipicamente, antes de concertos] e de coisas que o pessoal tinha, houve outras que foram lá criadas, mas todas foram lá desenvolvidas.

Esse campo de exploração está sempre dependente da guitarra?
Não, está dependente de qualquer instrumento. Bem, no meu caso é a guitarra. Ou seja, há temas, não é? Mas depois há sempre umas janelas, o pessoal pode sair por ali. Já acontecia também nos Dead Combo. Os temas ao vivo nunca são iguais ao disco. Nunca curti muito o pessoal que toca igual, igual... Sou da geração que ia a concertos e acontecia sempre qualquer coisa. Ou porrada, ou o gajo partia umas cenas ou cuspiam no gajo, sei lá. Um gajo para ir ver uma cena ao vivo convém que seja diferente do que realmente ouvir o disco e tocar o disquinho na perfeição. Nunca fui esse gajo. É lógico que são os temas do disco, mas pronto, que tenha esse espectro de liberdade.

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