Entrevista

Vítor Lourenço: “Se Leiria conseguir ser eleita para capital da cultura, será uma montanha de trabalho”

25 jul 2020 14:24

O presidente do Orfeão de Leiria diz que a instituição, quase a chegar às Bodas de Diamante, tem sido fundamental para a mudança do paradigma e aposta na cultura e indústria criativa em Leiria. Anuncia ainda, para breve, o alargamento da área de abrangência da instituição

Vítor Lourenço, presidente do Orfeão de Leiria
Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

Como decorreu o ano lectivo, no Orfeão de Leiria, após a chegada da Covid-19?
Foi uma oportunidade imensa que o corpo docente e a Direcção Pedagógica aproveitaram. Criaram metodologias de ensino, investiram na formação e juntaram novas capacidades técnicas que permitem o ensino à distância. Nos primeiros 15 dias de confinamento, em Março, os professores fizeram o que puderam antes da Páscoa, com recurso à internet, mas de uma forma quase experimentalista, como aconteceu com quase toda a gente. Porém, chegadas as férias da Páscoa, fez-se um trabalho louco de criar uma plataforma única para toda a escola, através da plataforma Teams. Dos serviços administrativos, aos alunos e professores, toda a instituição começou a trabalhar com uma coordenação e facilidade muito maiores. Foi um trabalho fantástico de mobilização e interajuda. O ano lectivo correu de uma forma extraordinária, embora tenhamos tido algumas dificuldades com a dança, mas dada a a natureza dessa actividade, é normal que assim seja. Antes de o ano lectivo terminar, fizemos um inquérito de satisfação aos encarregados de educação e de entre as 290 respostas, houve 50 ou 60 mensagens que nos deixaram surpreendidos com o efeito que as aulas à distância tiveram nos alunos. Estes jovens, nestas aulas, estão lá porque gostam e aderiram mais facilmente a elas, do que às "aulas normais" das escolas. Temos vários ramos de ensino, mas temos uma responsabilidade muito grande no ensino oficial - o ensino articulado - e as respostas que recebemos dos encarregados de educação são um grande motivo de orgulho.

“Noventa por cento dos nossos colaboradores são professores e a maioria deles são docentes com mestrado e currículo já firmado no domínio artístico”
Vítor Lourenço

Para o próximo ano, já tem ideia de como será feito o ensino?
Não sabemos ainda, mas prevemos que terá uma forte componente de ensino à distância, para a qual estamos preparados. A Direcção Pedagógica, na Páscoa, alterou o projecto educativo, adaptando-o a estas circunstâncias. O Plano de Actividades e o Projecto Educativo para o próximo ano lectivo estão a ser preparados tendo em conta as vertentes presencial e à distância. As classes de conjunto, que são muito importantes para os alunos e representam a sua motivação maior, pararam, tal como parou a participação em actividades da vida comunitária e o trabalho dos nossos corais. O nosso Conservatório Sénior [CSOL] cessou mesmo todas as actividades, até àquelas à distância, porque muitos seniores não tinham acesso ou não dominam a tecnologia. De resto, tudo funcionou. O Festival Beira-Rio, por exemplo, emitiu 11 horas com trabalhos de alunos, a partir de casa. O hino da escola foi cantado por 290 vozes, em simultâneo. Foi empolgante.

Quantos alunos teve o Orfeão, neste ano lectivo?
Este ano, tivemos 806, desde as crianças da iniciação no pré-escolar, até os adultos do CSOL. No ensino oficial articulado, financiado pelo Ministério da Educação, tivemos oito alunos do secundário e mais de 340 do articulado básico, na música e na dança. Somos, na região Centro, no articulado b&aac

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