Entrevista

Júlio Machado Vaz: "O amor dá trabalho, muito mais do que a paixão"

14 mai 2026 08:00

O psiquiatra e sexólogo diz que há muitas pessoas “sobremedicadas porque não têm o acompanhamento necessário” e que a sociedade actual “coloca os jovens debaixo de uma pressão brutal”

"Estamos num mundo em que se busca solução para determinados problemas e para sobreviver a esta cavalgada infernal fora do sistema, na medicação e também nas drogas ilegais"
Fotografia: Ricardo Graça
Maria Anabela Silva

Dados recentes indicam que o consumo de antidepressivos e de antipsicóticos no País cresceu 82% e 72%, respectivamente. O que revelam estes números sobre a saúde mental dos portugueses?

Vivemos numa sociedade que está cada vez mais stressada. As resiliências são diferentes. Alguns de nós aguentam mais, outros menos. Portanto, é natural que haja mais queixas do foro psicológico. Mas uma coisa são queixas do foro psicológico, outra são diagnósticos psiquiátricos. Há dificuldades de acesso aos cuidados, tanto de psicologia como de psiquiatria. Muitas vezes, os meus colegas de medicina geral e familiar têm de se bastar a si próprios nesta área. Não têm tempo suficiente para ouvir as pessoas. Perante essas dificuldades, o mais simples, para não dizer inevitável, é medicar. Há muitas pessoas no País, e por esse mundo fora, que estão sobremedicadas, porque não têm o acompanhamento necessário. Pessoas para quem uma psicoterapia seria adequada, mas que acabam a tomar ansiolíticos ou antidepressivos. Em psiquiatria e psicologia confunde-se, por vezes, tristeza com depressão e luto com depressão. A tristeza é natural, como a alegria. O luto, desde que não nos bloqueie, tem de ser vivido. Acaba por se medicar em situações que não o justificam, também porque quem vem aos consultórios vem à espera da bala mágica.

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