Opinião
A utopia de Lamarck
Assistimos a guerras constantes, umas mais perto, outras mais longe. Pouco aprendemos
Quem estuda Biologia certamente reconhece que a teoria da evolução, de Darwin e Wallace, é uma das mais relevantes desta tão nobre ciência. Poucos sabem que Lamarck foi quem deu o nome da Biologia à Biologia, porque quem dele se lembra, lembra-o como o pai duma espécie de ato falhado nesta questão evolucionista.
Lamarck deu ao mundo a primeira teoria da evolução, depois refutada pela falta de coesão da sua proposta de mecanismos que a explicavam. De facto, Lamarck baseou a sua teoria na lei do uso e desuso e na herança das características adquiridas. Defendia portanto, e como é sempre tipificado em qualquer livro de ensino de Biologia que uma girafa, para chegar aos ramos mais altos das árvores para se alimentar, se esticava e esticava e assim o seu pescoço ficava cada vez maior, pelo uso que lhe dava, e depois os seus descendentes simplesmente já nasciam com o pescoço comprido, por terem adquirido essa característica.
Outro exemplo, também frequentemente usado, para clarificar a refutação da sua teoria, é a de que o filho dum halterofilista não nasce cheio de músculos. Se quiser ter músculos fortes e grandes, ainda que o pai lhe dê umas dicas, vai ter que, individualmente, dedicar tempo, energia e perseverança para ser ele próprio muito musculado. E assim cai por terra a teoria de Lamarck…
Mas, olhando para o mundo atual, dou por mim a pensar que bom seria se esta ideia de Lamarck fosse real. Na sociedade! Assistimos a uma pandemia, que não foi a primeira, não será a última. Pouco aprendemos. Assistimos a guerras constantes, umas mais perto, outras mais longe. Pouco aprendemos. Repetem-se crimes contra a humanidade, uns graves, outros ainda mais graves. Pouco aprendemos. E é por tudo isto, que lamento, muito, que Lamarck estivesse errado.
Seria tão melhor que os conhecimentos, avanços e progressos societais já alcançados no passado ficassem indelevelmente mantidos nas gerações seguintes. Não os tecnológicos, que esses sempre retemos, mas os societais, aqueles que distinguem, de forma muito simplista, o bem do mal. Para não cometermos os mesmos erros “over and over”.
Para não deixarmos as tiranias ressurgirem e alastrarem- -se pelo mundo. Que é ao que estamos agora a assistir, sem pouco ou nada podermos fazer. Porque não somos nós, cidadãos comuns que o podemos fazer. Ou será que somos? No nosso, ainda assim grande, ”metro para um lado e para o outro” de que somos responsáveis neste mundo? Às tantas até podemos… Fica a ideia, para um lado e para o outro…
Texto escrito segundo as regras do novo Acordo Ortográfico de 1990