Opinião

Cinema | Cure for Wellness - Preso num mistério que se perde

23 out 2026 08:29

É confuso, desorganizado e menos eficaz do que poderia ser. Não é um filme mau, é um filme com potencial que nunca encontra o equilíbrio

Gore Verbinski habituou-nos à aventura de Piratas das Caraíbas e à irreverência de Rango, mas em A Cure for Wellness troca esse entusiasmo por um universo doentio, onde a promessa de bem-estar esconde algo profundamente perturbador. Há aqui um leque de boas ideias e uma ambição visual que merece reconhecimento, mesmo quando o argumento parece perder-se na música de Benjamin Wallfisch.

O filme sugere um cruzamento entre o desconforto de Midsommar e a paranoia de Shutter Island. A comparação é de ambiente, não de influência, mas ajuda a perceber tanto o seu apelo como as suas limitações. Faltam-lhe a organização e o controlo necessários para transformar os mistérios numa experiência coesa. Acumula pistas, revelações e excessos, prolongando a intriga até o fascínio começar a dar lugar ao cansaço. Quer surpreender tanto que acaba por enfraquecer aquilo que constrói.

Tenho um gosto particular por filmes que se concentram num espaço e mantêm a personagem presa às regras desse universo. Foi precisamente essa sensação de clausura que me levou a revêlo e a questionar se teria sido demasiado duro na primeira abordagem. A atmosfera continua a funcionar, assim como a beleza inquietante das imagens. Ainda assim, as reservas mantêm-se intactas: é confuso, desorganizado e menos eficaz do que poderia ser. Não é um filme mau, é um filme com potencial que nunca encontra o equilíbrio.

Para quem aprecia uma atmosfera entre Midsommar e Shutter Island, poderá justificar uma nova oportunidade. Para os restantes, corre o risco de ser uma perda de tempo. A estranheza nem sempre se traduz em tensão, e há escolhas mais conseguidas para uma sessão de terror neste Halloween.