Opinião
Cinema | Obsession: uma obsessão pelo desconforto
Tornou-se, neste momento, um dos meus filmes de terror favoritos. É desconfortável, emocional e genuinamente arrepiante, sem depender apenas de sustos. Para quem é fã de terror, é daqueles filmes que considero obrigatório
Já não me arrepiava com um filme de terror há muito tempo. Não necessariamente por falta de medo, mas porque raramente um filme consegue fazer-me sentir desconforto para lá do susto imediato.
Obsession, de Curry Barker, conseguiu. E muito disso deve-se à prestação de Inde Navarrette, que encontra uma dimensão emocional na personagem capaz de dar um peso quase físico a determinadas cenas.
Há momentos em que o terror deixa de ser apenas perturbador e passa a ser genuinamente desconfortável. Barker está longe de ser um estreante absoluto, tendo já realizado uma longa-metragem e várias curtas-metragens, mas surpreendeu-me a todos os níveis. A sua realização é, claramente, o espaço que Navarrette precisava para explorar a personagem ao máximo, e é também graças à direção de Barker que a sua presença se torna tão marcante. Poderá ser injusto para Michael Johnston, mas é inevitável que um tipo de personagem como o de Navarrette sobressaia mais.
Ainda assim, Johnston apresenta uma prestação sólida, equilibrada e perfeitamente à altura do que o filme lhe exige. Outra grande surpresa é Rock Burwell, que tem aqui uma estreia particularmente forte.
A banda sonora encontra o ambiente certo para cada momento, mas destaca-se sobretudo pela capacidade de acompanhar não só o terror, como também os momentos emocionalmente mais pesados. A música nunca parece estar simplesmente a preencher o silêncio, mas participa na construção da atmosfera.
No fim, Obsession tornou-se, neste momento, um dos meus filmes de terror favoritos. É desconfortável, emocional e genuinamente arrepiante, sem depender apenas de sustos. Para quem é fã de terror, é daqueles filmes que considero obrigatório.