Editorial
Começar o ano em grande!
A mais abundante droga que brota do solo da Venezuela é o petróleo
Entre aplausos, críticas e um novo encolher dos líderes da União Europeia, Donald Trump e o movimento MAGA (Make America Great Again) que o apoia, fizeram o que prometeram ao eleitorado que jamais fariam: intervir em solo estrangeiro.
O presidente dos Estados Unidos que, ao arrepio da legalidade e do Congresso norte-americano ordenou a captura de Nicolás Maduro, espetou mais um prego, o maior até agora, na ordem internacional que notáveis líderes do seu país ajudaram a construir nos últimos 80 anos.
Enterrou também mais um bocadinho o punhal com que começou a ferir o peito da ONU, desde que foi eleito pela primeira vez.
Deixem-me que faça aqui uma declaração prévia, não vá alguém, menos formado e informado, entender que defendo ditaduras ou sequer aquilo que Maduro e os seus comparsas fizeram ao povo da Venezuela.
Todas as ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, são abomináveis, tal como o são os regimes iliberais, liderados por quem se dedica a atacar as democracias europeias e a prometer (e fornecer) acesso ilimitado a redes sociais, desinformação e milhões de dólares de financiamento.
Feita a ressalva, é muito preocupante que um país, que supostamente é um dos pilares da democracia e do iluminismo, ignore a ONU e decida ser juiz e carrasco por conta própria, ao abrigo da desculpa da suposta produção e tráfico da droga fentanil, que toda a gente sabe que é falsa.
A mais abundante droga que brota do solo da Venezuela é o petróleo e este ouro negro produz um chamamento a Trump tal como o vil metal fazia aos conquistadores espanhóis, que padeciam de uma doença incurável, cuja panaceia era o ouro.
Quando veremos as Spetsnaz russas raptarem Zelenskyy, Starmer ou Donald Tusk?
Graças a Trump, para os ditadores deste mundo, agora tudo é justificável.
Esperemos que, ao contrário daquilo que o bom-senso, os comportamentos do passado recente e a fria lógica nos fazem prever, a captura de Maduro seja, efectivamente, o início e o retorno a um tempo de liberdade e prosperidade para a Venezuela.
Na edição desta semana, ouvimos o que pensam os venezuelanos da captura de Maduro e das esperanças para o seu país.
Falámos também com o jornalista Carlos Daniel. Sem tabus, falou da desinformação e das redes sociais, admitindo que não está optimista, perante o alheamento dos jovens que preferem viver numa espécie de transe acordado, dominado por cinema, séries e futebol.
O impacto da IA na criação de informação é outro problema que considera um desafio para a sociedade e assegura que a maior ameaça ao jornalismo sério, competente e independente é o modelo de negócio.
“Temos sido dominados por uma cultura anglo-saxónica, mas nada impede que o sejamos por uma cultura asiática ou por uma cultura do Médio Oriente.”