Opinião

Como Reerguer Leiria: Estratégias para a resiliência climática 

21 fev 2026 11:34

É necessário repensar o território e as infraestruturas sob o prisma da resiliência a tempestades, cheias, secas e incêndios

O aquecimento global tem provocado o aumento da intensidade e frequência dos eventos climáticos extremos, forçando as empresas e os setores económicos a reavaliar as suas operações. O investimento estratégico dentro deste clima de incerteza é extremamente desafiante, pois os eventos extremos vão causar elevadas perdas, quebras de negócio, e consequentemente alterações significativas no contexto socioeconómico. 

Na União Europeia, os custos dos eventos extremos climáticos entre 2021 e 2024 ascenderam a 208 mil milhões de euros. Recentemente, Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia e da Coesão Territorial, estimou que os prejuízos causados pela tempestade Kristin ultrapassaram já os 4.000 milhões de euros.

Reerguer Leiria e a região Centro exige uma abordagem inovadora. É necessário repensar o território e as infraestruturas sob o prisma da resiliência a tempestades, cheias, secas e incêndios. Segundo o relatório Infrastructure for a Climate-Resilient Future (OCDE, 2024), a solução reside na identificação de riscos, no planeamento de infraestruturas a longo prazo que inclua técnicas inovadoras para garantir os serviços, na implementação de soluções baseadas na natureza, assim como no desbloqueamento do financiamento para infraestruturas resilientes e na integração dos diversos níveis de governação.

Na prática, observar as boas práticas de países habituados a ciclones e ventos fortes permitirá adaptar normas de construção e métodos de reparação habitacional para suportar tais eventos extremos.

A preparação das infraestruturas para fazer face às alterações climáticas terá um custo elevado que é necessário apurar. Um estudo do Canadian Climate Institute (fevereiro de 2026) revela que a adaptação das infraestruturas aos eventos climáticos extremos poderá poupar aos governos até 10 mil milhões de dólares por ano até 2100.

O estudo aponta que o investimento anual em 3 mil milhões de dólares em adaptação proativa evitaria a maior parte dos dados. Sem este esforço, os custos de manutenção e substituição irão disparar. Investir hoje permitirá gerar poupanças significativas e proteger a economia de interrupções em cascata. Para tal, é urgente dotar os municípios de ferramentas financeiras e atualizar códigos de construção e normas de engenharia. 

Neste processo é necessário ouvir a sociedade. Processos colaborativos, onde os cidadãos e as empresas contribuem com o seu conhecimento empírico do território, são o complemento indispensável ao rigor técnico dos especialistas. A cocriação é a via para garantir que as medidas implementadas sejam eficazes a longo prazo.

Texto escrito segundo as regras do novo Acordo Ortográfico de 1990