Editorial
Leiria global
A relação dos empresários com o mercado internacional é também uma história de visão e coragem
Espanha, França e Alemanha continuam a ser os principais parceiros do distrito de Leiria, mas os produtos desenvolvidos pelas empresas da região há anos que chegam muito mais além, fora das fronteiras da Europa. Cerâmica na Austrália e Canadá, vidro nos Estados Unidos da América, moldes no México, plásticos em Marrocos e Honduras, pedra na China e Arábia Saudita. Tem décadas a relação dos empresários de Leiria, Marinha Grande, Alcobaça, Pombal, Caldas da Rainha e Porto de Mós com o mercado internacional (os concelhos que mais exportam) e é também uma história de visão e coragem. Em alguns casos, o início de tudo encontra-se noutro tempo, hoje difícil de imaginar: sem internet, sem telemóveis, sem escritório na palma da mão nem tradução instantânea online.
Na próxima semana vamos distribuir com o JORNAL DE LEIRIA uma nova edição da revista Leiria Global, que valoriza o espírito empreendedor e a vocação exportadora. Uma radiografia das trocas com o resto do mundo que capta um momento especialmente delicado, em que não faltam desafios. O arrastar da guerra na Ucrânia, o conflito no Médio Oriente, as tarifas aplicadas pela administração Trump e o preço da energia influenciam negócios e estratégias e obrigam a procurar soluções para manter a rota com destino a bom porto.
Nos últimos dez anos, as exportações do distrito de Leiria cresceram mais de 60%. De um patamar inferior a 2 mil milhões de euros por ano para mais de 3 mil milhões, máximo histórico, obtido após um resgate do FMI e atravessando uma pandemia e uma crise inflaccionista.
Nos últimos três anos, o ritmo de crescimento é inferior, mas acima da média nacional: 8,7% no distrito de Leiria, 1,2% no conjunto do País. O saldo da balança comercial segue positivo na região (472 milhões de euros em 2025) e há uma nova frente aberta com os drones fabricados pela Tekever, empresa tecnológica que mantém instalações em Caldas da Rainha e Leiria, onde trabalham vários antigos diplomados do IPL, que tem fornecido o governo de Volodymyr Zelensky com sistemas essenciais na tentativa de travar a ofensiva russa.