Opinião
Letras | Fotografar Palavras (2026), fotógrafos e escritores juntos na transformação da palavra em fotografia OU o(s) olhar(es) ao(s) espelho(s) da(s) palavra(s)…
Talvez seja a forma mais bela de Leiria existir (sempre e neste hic et nunc posterior à Kristin…): de uma forma participada, plural e aberta, potencialmente criadora de relações, fomentando a aproximação de pessoas e transformando em força criativa a diversidade
Trata-se de um catálogo que arquiva – de uma forma belíssima e artística – o diálogo nascido do encontro entre pessoas, suas diferentes formas de olhar e sentir, linguagens diversas que nunca perdem a sua singularidade. Ao aproximar pessoas, geografias e sensibilidades culturais, duas formas de expressão artística – a palavra poética e a fotografia artística – atinge a criação, cuja condição essencial é a diferença.
Talvez seja a forma mais bela de Leiria existir (sempre e neste hic et nunc posterior à Kristin…): de uma forma participada, plural e aberta, potencialmente criadora de relações, fomentando a aproximação de pessoas e transformando em força criativa a diversidade. Assim, a cultura faz das pessoas – não simples destinatários – mas ativos e reativos participantes e autores.
O projeto – que se designa Fotografar Palavras – cresceu durante dez anos e atravessou fronteiras. Nasceu em 2016 como um projeto digital entre escritores e fotógrafos e tornou-se uma comunidade criativa internacional. Reúne centenas de artistas de dezenas de países e mais de 5.700 trabalhos originais. Desde 2020 o M|I|MO tem sido o espaço público que dá visibilidade, continuidade e encontro entre os mais diversos públicos.
Ao chegar à sétima edição, cinquenta novos e riquíssimos trabalhos aproximam criadores: a palavra espelha-se na imagem e a fotografia faz uma ressonância inusitada à palavra poética, num encontro artístico multiforme e enriquecido. Diferentes formas de perscrutar, sentir e ser a boca do mundo.
O catálogo retém esse encontro das artes e das emoções para lá da exposição, e permite(/irá) renovar, de cada vez, cada obra, através do olhar e da interpretação de quem a recebe: olha e lê, analisando e interpretando de cada vez novas e diferentes coisas e significações. Com este Catálogo, reconhecese um percurso que se foi construindo na diversidade e na continuidade, na confiança e na colaboração entre criadores, instituições públicas e usufrutuários dos bens culturais: todos os públicos, a comunidade do mundo.
Como bem nos vem habituando e é de tradição honrada, o Município de Leiria afirma a cultura como um bem comum e o mundo como um espaço cívico de diversidade, participação e liberdade. Diferentes vozes e olhares abraçam-se através da expressão e criação artística. Uma das formas – a principal-fundamental-essencial-humana-pura? – de tornar as sociedades mais democráticas, plurais e abertas.
A beleza gráfica do volume resultante final, neste ano de 2026, é o expoente máximo de todo este envolvimento criativo. Existe, é visitável e convida os leitores/públicos a participar com o seu olhar e dizer. E não se trata de um espelho mágico. Porém, a magia é real. Deixem-se tentar pela beleza impoluta. Congratulações aos artistas participantes e felicidades aos futuros criadores: beleza chama beleza, poesia inspira a imagem até a semente inovadora e surpreendente se formar.
Somos o que lemos e fotografamos porque só a arte inunda o nosso ser de perfeição e procura, de diálogo e capacidade de análise. Quando – e sempre que – o estranhamento produz surpresa, a arte floresce num espelho mágico. E damos graças por existir com poesia e imagem num mundo bom.