Opinião

Letras | Para quem não resiste a uma bela história de amor

16 jan 2026 08:11

Florentino Ariza e Fermina Daza são os protagonistas de uma história que nos prova que nunca é tarde para amar. Quem no-la conta é o mestre dos contadores

Ai, o amor, o amor. Como é lindo o amor. Mais lindo ainda quando há correspondência de afectos e corações alinhados.

E a paixão desmedida, destravada e fogosa – uma tormenta ou um suplemento multivitaminado de vida? Quem nunca a sentiu que pegue no primeiro calhau que encontre e o atire.

E há os amores calculados, apalavrados, contidos. Juras de amor que dão continuidade a linhagens puras. Uniões convenientes na junção de famílias, de terras, de reinados. Quantas lágrimas se terão derramado perante o enlace forçado?

A História é fértil em casamentos programados. Dela fazem parte também os bem mais aliciantes amores proibidos e os escapes pecaminosos à união imposta. São inspirações inesgotáveis para os criadores. Romeu e Julieta, Inês de Castro e D. Pedro I amolecem o mais frio dos corações com as suas trágicas histórias de amor, tantas vezes interpretadas no teatro, nos livros ou no cinema.

O livro deste mês traz os amores calientes da América Latina. Florentino Ariza e Fermina Daza são os protagonistas de uma história que nos prova que nunca é tarde para amar. Quem no-la conta é o mestre dos contadores: Gabriel Garcia Márquez no seu intemporal O Amor em Tempos de Cólera, obra escrita em 1985. Num desenrolar de uma espécie de jogo entre gato e rato, juntar-se-ão, finalmente, estes corações que se encontraram em jovens e que, por circunstâncias várias, seguiram outros amores? A resposta – com spoiler – é sim: vivem o seu grande amor, num navio do amor, passados mais de 50 anos. Se isto não é bonito não sei o que vos diga!

Mas nem só de amor se faz esta esta grande obra de Márquez que nos remete para os finais do século XIX com a narrada transição para o século XX. O romance retrata a sociedade, a economia e o progresso destes tempos, mesmo que com cenários fictícios, abordando ainda o medo face à cólera e os cuidados sanitários para enfrentá-la. Qualquer semelhança com uma recente pandemia pode não ser pura coincidência. Afinal, independentemente dos tempos, todos desejamos sobreviver e, se possível, viver um grande amor.