Opinião

Letras | Shahd Wadi - Chuva de Jasmim

29 mai 2026 16:51

A poesia mostra que não há fronteiras, e que as nações e soberenidade deveriam ser um hino à poesia. Mas não há nada de belo aqui, no que à crueza das coisas aponta

Esta poeta radicada em Portugal (ou será radicalizada?), ou será mesmo, em algum lugar para além do que é e foi a Palestina? “Enquanto a Palestina estiver ocupada, o mundo é a Palestina.”

Shahd Wadi é uma escritora, investigadora e ativista palestiniana, pioneira com o primeiro doutoramento em Estudos Feministas no país, lançou o livro Corpos na Trouxa. Em 2025, foi distinguida como Escritora Galega Universal. A sua obra cruza arte, género e resistência.

Apesar de ainda se estar a acostumar à lingua portuguesa, a poesia mostra que não há fronteiras, e que as nações e soberenidade deveriam ser um hino à poesia. Mas não há nada de belo aqui, no que à crueza das coisas aponta. Não há alegria e tudo é dor “sei / que não gostas de ver / sangue de crianças ao jantar, / mas no fundo do ecrã / da minha panela / não há outras.”

A arma que ela traz à mão e n’O corpo que não é, desenha as mais lindas curvas dum pássaro nos acentos e nas vogais lusas, “quando a entoação habitou a desafinação / … precisamente naquele intervalo, / uma pátria.”

Senti-me tocado pela forma gentil que faz do caos uma bandeira, e como a sua poesia é uma flor no deserto, ou uma chuva de jasmim.

“O meu texto é incurável.

Enquanto lhe choviam rockets na cabeça, Eman dizia: “rezo para que chova jasmim”.

Com ela, irei sacudir os meus corpos mortos, levantar a minha bandeira e a minha dança. Um dia haverá chuva de jasmim. O meu texto é chuva de jasmim.”