Opinião

Minuto de literacia financeira dicas e reflexões: IA nas finanças individuais: aliada ou substituta?

30 jan 2026 11:03

Sem literacia financeira, torna-se difícil avaliar se as recomendações da IA são adequadas ao contexto individual

Estudos recentes indicam que apenas 42% dos portugueses conseguem responder corretamente a perguntas básicas de literacia financeira, enquanto a média da UE é de 52%. Ainda assim, a situação a nível europeu também é preocupante, uma vez que apenas um quinto dos cidadãos da UE possui um nível “elevado” de literacia financeira. Apesar de serem visíveis esforços na educação financeira, continuam a verificar-se baixos níveis de literacia, o que limita a capacidade de tomar decisões financeiras informadas.

Neste contexto, surgiu um novo protagonista: a Inteligência Artificial (IA). A questão que se coloca é se a IA conseguirá substituir a literacia financeira, assumindo-se como um assessor financeiro pessoal.

A grande vantagem da IA é reduzir as barreiras no acesso ao conhecimento financeiro. A IA permite adequar a transmissão de conceitos financeiros a qualquer pessoa, independentemente do seu nível de estudos. Ao proporcionar explicações simples, exemplos adaptados, maior envolvimento com ferramentas financeiras e respostas quase imediatas, a IA pode apoiar a promoção do conhecimento em áreas como poupança, investimento e endividamento.

É evidente que as ferramentas digitais ao serviço dos mercados financeiros, incluindo a IA, têm evoluído rapidamente. Contudo, a sua utilização eficaz pressupõe níveis adequados de literacia financeira e espírito crítico por parte dos utilizadores. A IA pode, por exemplo, inventar dados ou taxas de juro inexistentes, sugerir produtos financeiros com base em informação histórica desajustada da realidade futura ou colocar em risco a segurança dos dados bancários.

Este contexto é preocupante, sobretudo quando se considera que a literacia financeira da maioria das pessoas tem evoluído lentamente. Cria-se, assim, uma divergência entre a informação produzida pela tecnologia e a capacidade de a utilizar criticamente.

Sem literacia financeira, torna-se difícil avaliar se as recomendações da IA são adequadas ao contexto individual, uma vez que a decisão financeira não se resume a números: exige compreensão e interpretação. Deste modo, a IA deve ser encarada como uma aliada no processo de decisão, e não como um substituto da literacia financeira individual, que continuará a ser determinante.

Lições Práticas:
    1. Aprenda conceitos básicos: antes de perguntar à IA, aprenda os conceitos fundamentais de literacia financeira.
    2. Faça bons prompts: a qualidade da resposta depende da pergunta.
    3. Duvide sempre: não aceite respostas sem análise. Pergunte à IA quais os pressupostos utilizados e valide com dados de fontes oficiais.
    4. Use como simulador, não como decisor: peça à IA para simular cenários e visualizar opções, mas valide sempre os números antes de decidir.

Texto escrito segundo as regras do novo Acordo Ortográfico de 1990