Opinião
Obrigado, Trovante!
Deveríamos preservar e partilhar o seu legado com as futuras gerações, temos os seus 8 álbuns originais para o fazer
O Trovante é uma das maiores instituições culturais e musicais deste país. Nós, os portugueses, somos uns enormes privilegiados da sua música respirar no nosso ADN cultural. Infelizmente, com a partida do Luís, perdemos a oportunidade de voltar a sentir ao vivo a sua música. Deveríamos preservar e partilhar o seu legado com as futuras gerações, temos os seus 8 álbuns originais para o fazer.
A primeira vez que me cruzei com Trovante foi num concerto na Batalha, ainda nem sequer pensava na hipótese de vir a ser músico, mas adorava ir a concertos. Na altura não tinha verba suficiente para assistir a concertos regularmente, mas encontrei uma estratégia para o conseguir fazer. Dirigi-me à sede deste mesmo jornal, o Jornal de Leiria, e ofereci-me, sem qualquer remuneração, para escrever sobre alguns concertos e ainda entrevistar os artistas.
Aquele cartão do JL abriu-me imensas portas para poder absorver concertos dos meus artistas favoritos (o mais importante!) e ainda conversar com os mesmos. Não sei se o JL tem um arquivo dos jornais em papel, mas Trovante foi uma das bandas que tive o prazer de entrevistar, conversei com o Luís, o João Gil e o Manel Faria, mal imaginava que um dia trabalharia com eles e desenvolveria uma grande amizade.
O João Gil, um dos grandes compositores deste país, tornou-se num dos meus melhores amigos e cúmplices de estúdio e de palco, já gravámos uma boa coleção de discos e tocámos em imensos palcos.
A partida do Luís deixa um enorme vazio na nossa cultura, além de compositor, era muito eficaz a gravar vozes, guitarras acústicas e bandolim, tive o prazer de estar na produção de um dos seus discos.
Obrigado pela música, obrigado pela fantástica energia dos vossos concertos! Obrigado, Trovante!