Opinião

Precisamos de espelhos!

22 mar 2026 21:30

A sabedoria dos tiktoks é zero, mas passamos horas atrás de um ecrã

É típico só lá irmos após desastres naturais, mas afinal nem assim lavamos e aprendemos, de facto, lições fundamentais que, em poucos anos, vamos, inevitavelmente, voltar a aprender quando acontecer a próxima Kristin ou o próximo Pedrógão.

Faça chuva ou faça sol, a nossa compreensão e análise teimam em não conseguir processar o que é mais elementar e que nem sequer é necessário ter um curso superior para perceber.

Não somos consequentes, uma comédia à portuguesa.

A sabedoria popular, de quem está atento a olhar para o território é valorosa.

A sabedoria dos tiktoks é zero, mas passamos horas atrás de um ecrã.

Preferimos chutar a bola para a frente, pois, imagine-se, isso nem sequer dá votos e a lógica é quase que apenas construir ou deixar construir onde se apetece.

Quando acontece ficamos surpreendidos, mas afinal nem sequer fizemos planos para que quando acontecer, o socorro, a mitigação e resolução dos problemas seja mais rápida.

É mais fácil aparecer de carro para as fotografias e dizer que estamos a resolver os problemas e que tudo irá correr bem.

Os anos têm o dom de mostrar que não corre bem.

Teimamos em ignorar que se construirmos em leito de cheia, a água um dia irá reclamar o que é seu por direito.

Achamos que aquela conversa de uma barragem que nunca foi feita é que iria resolver o que afinal não resolveria.

Somos muito falantes, mas na hora de precaver e de nos mobilizarmos antes do desastre, não avançamos, ficamo-nos pelas intenções.

Mas quando o desastre acontece, aí já nos mexemos e apontamos culpas.

O Dia da Árvore está a chegar e este ano são muito menos árvores para celebrar, pois o vento levou muitas delas.

E mesmo assim tem sido comum dizer que as árvores são para cortar todas, pois são um perigo.

Estes génios descobriram a fórmula mágica para abater árvores que, estando em condições, são para abater com a desculpa do costume, a de que são um perigo para nós.

Falta-nos é um espelho, daqueles grandes, para vermos que afinal o perigo está à nossa frente.