Opinião
Sem palavras para cem palavras
Para podermos concretizar os sonhos de vida nova que o ano novo nos traz, temos de quebrar este inconsciente rotineiro que nos molda sem percebermos.
Expectativa, confiança, promessa, audácia, fé... E já só faltam mais noventa e cinco para as cem palavras de esperança que proponho para este novo ano.
Esta altura do ano é profícua em sonhos, desejos e compromissos. De uma vida melhor, individual e global.
Com ou sem passas, todos nós ansiamos que a mudança para um novo ano traga também a mudança que sabemos precisar mas teimamos em adiar.
Não teimosia pela teimosia, mas a incapacidade de efetivamente mudar.
E por isso, na mudança de ano, fazemos desejos de mudança para uma vida melhor. E compromissos para a alcançar. O ginásio que ainda não frequentamos. A dieta que ainda não começámos. O projeto que tanto sonhamos. O que talvez nos esqueçamos é de definir um plano para que todos esses desejos que sonhamos, e compromissos que fazemos, se concretizem.
Somos seres de rotinas. Umas mais estruturadas do que outras, mas todos temos rotinas. E estas rotinas estão-nos tão enraizadas que se tornam inconscientes. Automáticas. Fazemo-las sem pensar.
A forma como tomamos banho. A ordem com que nos vestimos. O caminho para o trabalho. E tanto mais. Pequenos detalhes do dia-a-dia.
E para podermos concretizar os sonhos de vida nova que o ano novo nos traz, temos de quebrar este inconsciente rotineiro que nos molda sem percebermos. É esse o desafio da mudança. É esse o alimento da esperança. A capacidade de quebrar rotinas. Só assim podemos mudar.
Como o fazer? Com perseverança. E com estratégia. O tal plano que nos esquecemos de pôr ao lado das passas que comemos à meia-noite do dia 31. Ou às zero horas do dia 1, como preferirem.
Usando uma regra simples. A regra dos 4 “P”s: pouco, prático, possível e progressivo.
Se quisermos mudar tudo de uma vez, o risco de falhar é maior.
Por isso, planeemos pequenas coisas, pouco a pouco, que consigamos realmente fazer, e devagarinho, começamos a conseguir alcançar mais e mais, até ao objetivo que desejámos.
Mas sem esquecer que para adquirir um novo hábito, isto é, mudar um hábito antigo por um hábito novo, precisamos de uma média de 66 dias. Diz a ciência.
Tratando-se de uma média, por definição, uns hábitos mudarão mais depressa e outros mais devagar. Entre 18 e 254 dias, conforme o estudo de 2012 que analisou a nossa capacidade de mudança.
É esse o deserto que temos de atravessar para conseguir mudar rotinas menos boas para rotinas mais positivas.
É isso que desejo para todos neste novo ano. A capacidade de perseverar na mudança. Para um mundo melhor! Cem palavras de esperança!