Opinião

Só não vendemos o Castelo

30 nov 2025 10:20

A última morada do bispo D. Manuel de Aguiar foi em tempos recentes sede do Distrito de Recrutamento e Mobilização Militar (DRM) e depois abandonado há 30 anos pelo Estado

O segredo é a alma do negócio, diz-se, e quanto mais obscuro o negócio maior o segredo, já se sabe. O primeiro Seminário Diocesano é bem um exemplo disso. Edificado no período final de século XVII o edifício nasceu colado ao Convento de Santo Agostinho e foi entregue aos religiosos em 1672, era bispo D. Pedro Vieira da Silva. O resto da sua história é uma sucessão de abandonos e reconstruções, saques, incêndios e ocupações.

A última morada do bispo D. Manuel de Aguiar foi em tempos recentes sede do Distrito de Recrutamento e Mobilização Militar (DRM) e depois abandonado há 30 anos pelo Estado. O município tem procurado, aturadamente, dar-lhe uma utilidade digna.  

Desde a fixação do Museu de Leiria no espaço do antigo Convento que a criação de um Museu de Arte Sacra no edifício que lhe dá continuidade e retoma uma leitura da paisagem urbana coerente e sólida ganhou corpo.  

A exposição “Corpus: Ritualidade, Forma e Presença” que alterou a minha posição nesta matéria colocando-me decididamente do lado dos defensores de um futuro Museu de Arte Sacra e o precioso Leiria Sacra: Identidade, património, museologia que a Câmara Municipal editou este ano e se constitui como uma espécie de arsenal de peso em sua defesa.

A exposição de Miguel Cardoso “O clamor da ruína: que futuro para o antigo Seminário de Leiria?” na Igreja de São Pedro registou em parte a degradação chocante do edifício e a recente queda de telhas e vidros para o passeio trouxe de novo para a praça pública a situação inadmissível em que se encontra. Tanto o JL como o RL publicaram notícias sobre o perigo eminente que o Estado e a sua incúria deixam que o corpo do antigo seminário represente como sobre a intimação que a Câmara fez ao irresponsável proprietário para que intervenha.

E ficamos a saber agora por um parágrafo da noticia do Região que existem “conversações entre privados e a ESTAMO” para “dar um fim distinto ao edifício”.  A ESTAMO é a empresa pública responsável pelo património imobiliário do Estado. O título que escolhi é de uma empresa de imobiliário da cidade. Mas não me espantaria que a ESTAMO esteja roída de inveja por não ter escolhido o slogan primeiro.