Editorial

Uma piscina que parece impossível

9 jul 2026 07:30

Inauguradas no dia 1 de Junho de 1967, estão desactivadas e a degradar-se, há quase 13 anos, desde Setembro de 2013

Há momentos da vida colectiva que não devem ser esquecidos nem deixados sem solução. Várias gerações podem reclamar-se “proprietárias” das piscinas oceânicas de São Pedro de Moel, não no sentido jurídico, mas através da memória e das emoções, que também contam. É um “direito” adquirido em mergulhos de água salgada, pranchas com vista para o infinito e horas intermináveis de Verão, dia e noite, durante décadas. Da toalha estendida debaixo do Sol ao último copo na discoteca que todos conheceram.

Uma história aparentemente exemplar: nos anos 60, o empresário
José Nobre Marques promove a construção das piscinas de São Pedro de Moel, complexo privado, participado por 118 accionistas, mas, detalhe importante, aberto ao público e com uma política de preços acessível a todas as bolsas e idades.

Inauguradas no dia 1 de Junho de 1967, estão desactivadas e a degradar-se, há quase 13 anos, desde Setembro de 2013.

Assentam num terreno cedido pelo Estado ao município da Marinha Grande, que o município vendeu à Promoel para a realização do projecto. Em 2011, o Grupo Oliveiras, da Batalha, ficou com o imóvel. Através da Agência do Ambiente, o Estado chumbou a requalificação, por expandir a área de construção e violar as regras de ordenamento do território previstas para o domínio público marítimo. Não é um aspecto menor: faz sentido, numa época de alterações climáticas e avanço do mar, investir naquela falésia?

Existe, agora, outra proposta, que alegadamente aguarda licenciamento, embora, volvido tanto tempo, seja legítimo questionar o empenho dos promotores.

Desde 2013, o município da Marinha Grande foi gerido por três executivos PS e um grupo de cidadãos independentes. No total, quatro presidentes de câmara, que em nenhum momento conseguiram – procuraram? – negociar a compra e integrar o empreendimento no património da autarquia. Também desde 2013, realizaram-se cinco eleições legislativas, que tanto viabilizaram governos e políticas do PS como do PSD.

As piscinas de São Pedro de Moel continuam encerradas. Como ferida na paisagem, mas, mesmo sem actividade económica no futuro, tem de ser resolvida. Enquanto Estado e privados não se entendem, os “proprietários” esperam.

Nota - O actor Pedro Oliveira (O Nariz, Festival Acaso) marcou 40 anos da cultura em Leiria e muito além de Leiria. Aos familiares e amigos, o JORNAL DE LEIRIA envia sentidas condolências.