Sociedade
Cerca de 200 pessoas voltaram a manifestar-se em Leiria pelo acesso à habitação
Custo de vida elevado foi um dos pontos referidos pelos presentes
“Como é que a malta jovem vai constituir família se está a partilhar quarto? É preciso estar na rua a exigir respostas. Não é nas redes sociais e não é a destilar ódio. Não podemos ter medo de lutar, temos de ter solidariedade para com quem está em Lisboa, no Porto, em Coimbra ou em Braga.”
As palavras são de António Gonçalves, porta-voz de Leiria da plataforma Casa para viver, que se dirigiu aos cerca de 200 manifestantes que marcaram presença na 'fonte luminosa' para criticar a actuação da polícia sobre os acampados e para pedirem ao Governo condições de acesso a uma habitação.
Apelando a todos os cidadãos para que “venham para a rua” “lutar pelos seus direitos”, António Gonçalves, disse aos jornalistas que “as pessoas estão na rua pela habitação, pelo custo de vida, por tudo o que têm sofrido nestes últimos tempos”.
“Temos de estar aqui a exigir que as soluções de habitação não se apliquem só a Lisboa ou ao Porto, apliquem-se a Portugal inteiro e para perceberem que isto não é uma cidade dormitório. Não estamos adormecidos”, afirmou, ao referir que “há pessoas que vivem e trabalham aqui e não conseguem pagar as suas contas no final do mês e o Governo não está interessado em resolver esses problemas”.
O manifestante afirmou que “Leiria foi dos distritos a nível nacional que teve um maior aumento de preços", exenplificando com apartamentos T2 nas freguesias periféricas a custarem 850 euros, e “com uma sala e uma cozinha juntas, com 40 metros quadrados, por exemplo, construídos à pressa sem grande qualidade”.
Revelando que a casa arrendada onde vivia lhe custou 550 euros por mês, em 2021, agora que vai sair do apartamento, os próximos inquilinos vão pagar 850 euros. “Não me parece que o salário de um português médio tenha aumentado 300 euros nos últimos 5 anos.”
Por isso, as pessoas “têm de lutar”, porque o “português sabe que não se vive bem em Portugal”, onde “dois terços dos portugueses recebem 1000 euros ou menos”.