Desporto

Do quimono à gravata. Fábio Carril chega ao lugar mais alto da arbitragem de jiu-jitsu

30 mai 2026 09:00

Fábio Carril é árbitro de jiu-jitsu desde 2016

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Fábio Carril é o único árbitro português detentor da categoria Mundial A
Imagem cedida pelos Lobos de Leiria
Bernardo Mendes com IGM

Em 2016, Fábio Carril competia no Campeonato do Mundo de Jiu-Jitsu quando perguntou à federação da modalidade onde poderia ajudar.

“[A federação] disse que faltavam árbitros”, conta o árbitro de Leiria, que decidiu passar do quimono para a gravata.

No ano seguinte, chegou logo a palcos internacionais, acreditando que a sua ascensão aconteceu de forma gradual, conforme foi “adquirindo competências que, eventualmente, foram reconhecidas”, esperando “que mais árbitros portugueses consigam tanto ou mais” que ele.

No passado Grand Prix de Paris, entre os dias 25 e 26 de Abril, elevou as suas competências profissionais, sendo agora detentor da categoria Mundial A de arbitragem em sistema duo.

Segundo o árbitro, “foi através deste sistema que surgiu o jiu-jitsu inclusivo”, que permite a atletas com deficiência praticarem o desporto.

As capacidades adquiridas enquanto árbitro poderão ter a ver com a sua experiência na modalidade.

Em 2003, estreou-se como atleta, onde, durante a sua carreira de lutador, além de ter marcado presença no Mundial em 2016, na Polónia, venceu um Campeonato Nacional de jiu-jitsu nas categorias luta e duo.

Fábio Carril acredita que o jiu-jitsu “é um desporto fascinante que trabalha o corpo inteiro” e onde é necessário “ter o máximo empenho e energia dentro de um código moral vincado”.

Ser árbitro é uma profissão onde “há muita pressão” e, portanto, “é muito importante que a arbitragem esteja unida”.

Embora acredite que o cenário “tenha melhorado nos últimos cinco anos”, Fábio Carril defende que “não se pode permitir que tudo seja dito e feito”.

“Não se pode deixar que atletas continuem a reclamar com árbitros por causa do seu insucesso”.

Além de árbitro, Fábio Carril é, ainda, director técnico da Escola de Artes Marciais e Rugby Football School – Lobos de Leiria.

Embora seja o juiz melhor cotado do País, desabafa que “é muito difícil viver só do desporto em Portugal”, ressaltando que “os treinadores dão as aulas como segundo emprego”.