Viver
Etnografia. Especialistas de Brasil, México e Portugal falam sobre o legado e o futuro
Jornadas decorrem em Leiria pelo sexto ano consecutivo
O Auditório da Filarmónica, na Casa da Música de Maceira, irá receber a 6ª. edição das Jornadas Internacionais de Etnografia (JIEL 2026) no próximo sábado, dia 7 de Novembro.
O Município de Leiria, através do Agromuseu Municipal Dona Julinha, escolheu a Maceira para o encontro de 2026, numa iniciativa que decorre desde 2021 e já teve lugar em várias freguesias do concelho (Arrabal, Monte Real, Leiria, Caranguejeira e Regueira de Pontes).
Entre as 9:30 e as 17:00 horas, especialistas vindos de Portugal, Brasil e México apresentarão temáticas “relevantes para a reflexão sobre o património cultural, memória, identidade, tradições e processos de transformação social”, descreve a organização em comunicado. Os temas de destaque serão divididos em quatro painéis apresentados ao longo do encontro: “Do território ao espaço digital”; “Folclore e etnografia: desafios contemporâneos”; “Música e tradição”; “Património e território”.
Adélio Amaro, coordenador das JIEL 2026, realça a importância de “chamar pessoas que têm conhecimento de outras realidades do que não só a nossa em Leiria, mesmo internacionais”. Quando reflecte no percurso das jornadas, admite que o início foi desafiante. Ainda assim, a iniciativa é agora referência na investigação etnográfica que transcende a região e o país. A aposta na transmissão online do evento contribuiu para a internacionalização do mesmo, permitindo a participação de antropólogos de todo o mundo, explica o coordenador.
A continuidade da iniciativa, ano após ano, tem como principal objectivo a conciliação da academia com a cultura popular. “(Pretendemos) unir pessoas da academia e também a parte associativa”. Adélio Amaro, que é também presidente do Centro do Património da Estremadura (CEPAE), no qual está incluída a região de Leiria e apoia a organização das jornadas, aponta que a associação tem desenvolvido acções no sentido de promover o património material e imaterial.
“Interessa-nos que o cidadão possa estar envolvido em acções de cultura popular. E há a preocupação de conseguir preservar os núcleos etnográficos”. O responsável revela também o desenvolvimento de uma rede de espaços etnográficos por parte do Município, uma iniciativa que será abordada nas JIEL 2026.
Entre os parceiros da iniciativa, estão o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (Brasil), o Instituto de Investigaciones Antropológicas de Castilla y León (Espanha) e a Sociedade Ibero-Americana de Antropologia Aplicada. Os temas que vão alimentar a reflexão incluem as festas de Nossa Senhora da Gaiola, as minas de carvão na Batalha, a canção popular para banda filarmónica, os actuais surtos migratórios e a linha ferroviária de Fregeneda a Barca d’Alva, entre outros.