Sociedade

Marlene Rosa distinguida com prémio Anti-Estigma 2026 da Alzheimer Europe

4 nov 2026 13:58

Projecto pioneiro de professora e investigadora da Universidade de Leiria e Oeste introduz o tema da demência nas escolas primárias

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Marlene Rosa, professora e investigadora da Universidade de Leiria e Oeste (ULO), venceu o Prémio Anti-Estigma 2026, atribuído pela Alzheimer Europe, pela canção original A minha Tita era assim, no âmbito do projecto Córtex School Bag, que prevê introduzir o tema da demência nas escolas do 1.º ciclo do ensino básico.

A canção foi escrita por Marlene Rosa em conjunto com o músico e compositor Francisco Saldanha. 

O prémio, que foi entregue numa cerimónia realizada em Dublin, na Irlanda, integrada na 36.ª Conferência da Alzheimer Europe, distingue iniciativas e trabalhos que contribuem para desconstruir preconceitos e promover uma imagem positiva da demência e das pessoas que vivem com esta condição.

“Este reconhecimento dá visibilidade a uma missão que me é muito próxima: ajudar a compreender a demência, combater o estigma e aproximar gerações. O projecto Córtex School Bag nasceu precisamente da identificação de uma realidade muitas vezes silenciosa: muitas crianças convivem com a demência no seio das suas famílias, mas raramente dispõem da linguagem, das ferramentas ou do apoio emocional necessários para compreender o que está a acontecer a um avô ou a uma avó de quem gostam profundamente”, afirma Marlene Rosa, citada numa nota de imprensa.

Segundo o comunicado da Universidade de Leiria e Oeste, o projecto visa a introdução da temática da demência nas escolas através de três recursos pedagógicos: o livro infantil musicado Quando a fábrica da avó avaria… que, através da canção A minha Tita era assim, conta a história da relação entre um neto e a avó, abordando os desafios que surgem quando esta é diagnosticada com demência; o jogo de tabuleiro Neuromania, uma ferramenta de aprendizagem activa e de simulação que permite às crianças descobrir curiosidades sobre a doença e explorar formas de ajudar e apoiar as pessoas que vivem com demência; e um guia para professores, concebido para apoiar os educadores na abordagem do tema e na promoção de uma cidadania inclusiva.

“Um futuro mais inclusivo para as pessoas com demência começa também na forma como educamos as crianças de hoje. As crianças são capazes de escutar, aprender, criar laços e levar às suas famílias e comunidades novas formas de olhar para a demência. Ao dar-lhes conhecimento e espaço para colocar perguntas, ajudamos a construir relações com mais compreensão, respeito e afeto. É esse o contributo que queremos continuar a dar à sociedade: transformar conhecimento em oportunidades de encontro e participação, para que as pessoas com demência e as suas famílias se sintam reconhecidas, apoiadas e parte da comunidade”, salienta a professora e investigadora da ULO.