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Palavra de Honra | “As batalhas que importam não se ganham aos gritos”

5 out 2026 11:00

Ana Pedrosa-Augusto, advogada

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Já não há paciência… Para tanta generalizada falta de educação, de senso, de noção, de modos. Para o premiar do banal e do básico, como se não fosse importante querer mais e sonhar mais. Para que o “poucochinho” seja suficiente. Não é. Nunca é.

Detesto… Ruído. Ruído de motas, de carros, de aviões. Mas, acima de tudo, ruído na discussão pública, na aparente incapacidade de ouvir outras opiniões, de escutar, de encontrar razoabilidade, de simplesmente concordar em discordar. As batalhas que importam não se ganham aos gritos.

A ideia… Árvores, jardins, relva, parques, natureza. Imaginem estar à sombra de uma árvore nos dias de calor extremo, encostados ao seu tronco frio e húmido, sem necessidade de ar condicionado. Imaginem solos não totalmente impermeabilizados, imaginem vida a continuar.

Questiono-me se... Alguma vez voltarei a ver o Pinhal de Leiria, árvore frondosas, esquilos a saltar. Se as matas deixarão de parecer abandonadas. Se haverá, de facto, algum tipo de reflorestação.

Adoro... Revisitar vezes sem conta o mundo de Gabriel García Márquez e mergulhar em Cem Anos de Solidão. Ali encontro um pouco de magia para equilibrar os dias de intensidade da realidade.

Lembro-me tantas vezes… De brincar: com os meus pais, na rua, sozinha, com amigos, com vizinhos. E de me aborrecer. De andar de porta em porta no Dia do Bolinho. Tive tantas experiências, criei tantas memórias, moldei-me. Receio que esta infância esteja a desaparecer e que pouco se faça para que seja recuperável, com o impacto que isso pode ter.

Desejo secretamente… Que as crianças se rebelem quando alguém tenta comprar o seu silêncio com um telemóvel. Há tanto para ver, para conversar.

Tenho saudades… De boas notícias. Somos permanentemente bombardeados com informação má, e na maior parte das vezes não conseguimos desligar. Há que escolher, temos de ser capazes de limitar o tempo de exposição ao mau. Caso contrário, ficamos mais e mais pessimistas, tornamo-nos infelizes.

O medo que tive... Na verdade, é um medo que tenho. Medo de não criarmos ferramentas para lidar com o Mundo. De não formarmos para momentos difíceis. De não darmos estofo, resistência, capacidade de cair ao chão e voltar a levantar. De ensinar que fracassar faz parte da vida.

Sinto vergonha alheia... Do Estado. Das suas tantas e tamanhas falhas, em especial nas áreas em que devia ser mais presente. Da sua incapacidade de pedir ajuda a quem pode consigo colaborar. Da avidez com que cobra impostos com tão parco retorno para os cidadãos. Da sua incapacidade de se reformar e de se reestruturar em prol do bem público. De ser um monstro autofágico.

O futuro... É cada vez mais imprevisível. Esse facto deverá estar sempre na nossa consciência, para que possamos de alguma forma estar preparados, na medida do que é possível a cada um de nós. A preparação torna-nos mais aptos a rapidez nas decisões. Não são os sortudos que conseguem reagir. São os preparados. Basta relembrar a impreparação colectiva a que assistimos após o comboio de tempestades do início do ano.

Se eu encontrar… Uma opinião que mude a minha perspectiva sobre algo, fico satisfeita. É sinal que ouvi (ou li), ponderei e reflecti. Significa que tive o luxo de ter tempo para pensar. E de reconhecer que mudar de ideias não é errado.

Prometo… Julgar cada vez menos. Nunca sabemos o que cada pessoa vive, as suas circunstâncias, dificuldades, complexidades, o que está a passar. Muitos são quase sobrehumanos em quanto fazem.

Tenho orgulho… Em ser leiriense. Em ter crescido aqui, estudado aqui, corrido tudo a pé aqui. É a minha cidade, uma cidade incrível que será sempre a minha Casa no coração, com pessoas que fervilham de espírito empreendedor em todas as áreas. A cidade a que voltarei sempre.