Sociedade

PSP de Leiria investiga burlas em criptoativos que causaram prejuízos superiores a 140 mil euros

23 jun 2026 09:59

Denúncias efectuadas na esquadra das Caldas da Rainha. PSP tem vindo a registar um aumento deste tipo de denúncias

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A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Leiria está a investigar duas burlas relacionadas com investimentos em criptomoedas que provocaram prejuízos superiores a 140 mil euros a duas pessoas em Caldas da Rainha. Os casos foram denunciados no passado dia 20 de Junho e levaram as autoridades a reforçar o alerta para uma nova vaga de esquemas fraudulentos associados a criptoactivos.

Segundo o Comando Distrital de Leiria da PSP, uma das vítimas perdeu cerca de 130 mil euros, enquanto a segunda sofreu prejuízos na ordem dos 8 mil euros. Apesar da diferença entre os montantes, a polícia sublinha que este tipo de fraude pode atingir qualquer cidadão, independentemente do valor inicialmente investido.

De acordo com os elementos recolhidos,os visados terão sido atraídos através de anúncios publicados nas redes sociais que prometiam elevados retornos financeiros. Em muitos destes conteúdos surgiam imagens de figuras públicas ligadas ao desporto, utilizadas para conferir credibilidade às alegadas oportunidades de investimento.

Após demonstrarem interesse, os lesados foram encaminhados para plataformas digitais onde forneceram dados pessoais e, posteriormente, foram contactados por indivíduos que se apresentavam como "gestores de investimento especializados". Os suspeitos garantiam acompanhamento personalizado e lucros significativos, convencendo as vítimas a realizar "sucessivas transferências bancárias para diferentes contas de destino", "sob o argumento de que os valores estavam a ser aplicados em investimentos em criptoativos com elevada rentabilidade".

Em alguns casos, os suspeitos solicitaram acesso remoto a computadores, tablets e telemóveis das vítimas, através da "instalação de aplicações que alegadamente permitiriam acompanhar a evolução dos investimentos".

Durante semanas ou meses, os investidores mantiveram contactos frequentes com pessoas de diferentes nacionalidades, o que reforçou a aparência de legitimidade da operação, explica a PSP.

"O esquema manteve-se enquanto as vítimas continuaram a investir. Contudo, quando tentaram resgatar os alegados lucros ou recuperar os montantes aplicados, verificaram que tal não era possível, apercebendo-se então de que tinham sido vítimas de burla", acrescenta o comunicado.

A PSP tem vindo a registar um aumento deste tipo de criminalidade, muitas delas associadas à falsa promessa de obtenção de elevados rendimentos num curto espaço de tempo, explorando a crescente popularidade dos criptoativos e o desconhecimento de muitos investidores sobre este mercado.

Muitas destas fraudes recorrem à utilização abusiva da imagem de figuras públicas, celebridades ou especialistas financeiros, frequentemente através de conteúdos manipulados com recurso a inteligência artificial, tornando mais difícil distinguir informação legítima de conteúdos fraudulentos, alerta a PSP, ao referir que as criptomoedas assumem diversas formas e podem chegar aos cidadãos através de anúncios patrocinados, redes sociais, mensagens eletrónicas, aplicações de mensagens instantâneas como WhatsApp ou Telegram, ou através de páginas de internet aparentemente credíveis.

Face ao aumento deste crime, a PSP recomenda aos cidadãos que desconfiem de promessas de lucros elevados e garantidos, evitem investir sob pressão ou urgência e verifiquem sempre a legitimidade das plataformas utilizadas.

A polícia aconselha ainda a não permitir o acesso remoto a dispositivos eletrónicos por parte de desconhecidos, a não transferir dinheiro para contas bancárias cuja titularidade não seja conhecida e a confirmar se as entidades estão devidamente autorizadas pelas autoridades competentes para exercer actividades financeiras.

Segundo o Banco de Portugal, "os criptoactivos ou activos virtuais são representações digitais de valores ou direitos que podem ser transferidos e armazenados electronicamente".

"Apesar de poderem ser utilizados para pagamentos, não têm curso legal em Portugal nem são garantidos pelo Banco de Portugal ou por qualquer outra autoridade nacional ou europeia."

A PSP apela a que qualquer pessoa que suspeite ter sido vítima deste tipo de fraude interrompa imediatamente os contactos com os suspeitos, preserve todas as provas disponíveis e comunique os factos às autoridades policiais o mais rapidamente possível.