Sociedade
Realidade virtual nas aulas de educação física melhora motivação e aprendizagem dos alunos
Projecto envolveu mais de 420 alunos do ensino secundário e cerca de 40 professores de Portugal, Bélgica, Itália e Chipre
A implementação de realidade virtual (RV) na disciplina de educação física melhora a motivação e o envolvimento dos alunos nas aulas, a compreensão das modalidades desportivas e a aprendizagem de regras e técnicas, contribuindo ainda para níveis mais reduzidos de ansiedade e desconforto durante a prática de actividade física.
As conclusões são do projecto europeu VIBES - Virtual Reality Sports Interaction Between European Schools, liderado em Portugal pelo Politécnico de Leiria, que ao longo de 30 meses envolveu mais de 420 alunos do ensino secundário e cerca de 40 professores de educação física da Bélgica, Itália, Chipre e Portugal.
Segundo os resultados apresentados durante um encontro realizado no Centro Universitário Desportivo Unipa, em Palermo, Itália, nos dias 14 e 15 de Maio, "os alunos responderam de forma extremamente positiva às experiências desenvolvidas", refere a nota de imprensa.
"Os níveis de diversão e prazer associados às atividades com RV foram particularmente elevados, tal como o interesse em repetir a experiência. Mais relevante ainda foi o impacto pedagógico identificado, designadamente ao nível da compreensão das modalidades, das regras e das técnicas, enquanto os indicadores de ansiedade e desconforto permaneceram baixos, reforçando a viabilidade da utilização desta tecnologia em contexto escolar”, afirma José Amoroso, docente da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria e investigador envolvido no projecto.
Entre os resultados do VIBES destaca-se ainda a criação de um e-course disponível em cinco línguas e o desenvolvimento de materiais pedagógicos inovadores para professores, com o objectivo de os apoiar a utilização e ensino de novas tecnologias emergentes.
Com início em Dezembro de 2023, o projecto formou professores de educação física para a utilização e integração da tecnologia de RV nas suas aulas, com o objectivo de aumentar o interesse e a motivação dos alunos para a prática de desporto. Esta poderá ser uma forma de reduzir comportamentos sedentários.
O VIBES incluiu ainda a aplicação de RV em aulas de ensino secundário, a realização de competições entre turmas e entre escolas, assim como torneios internacionais entre alunos dos quatro países envolvidos no projecto.
Em Portugal, participaram a Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, Escola Secundária Afonso Lopes Vieira e o Agrupamento de Escolas da Batalha.
“O projecto VIBES pode estar formalmente a chegar ao fim, mas representa apenas o início de novas oportunidades. Os resultados mostram que a realidade virtual não pretende substituir a essência da educação física, o movimento real, a interação humana e o papel do professor, mas sim acrescentar uma ferramenta inovadora que pode complementar o ensino, promover maior inclusão e aumentar a motivação das novas gerações”, conclui José Amoroso.
Além da conclusão dos últimos relatórios técnicos e científicos do projecto, o encontro em Palermo permitiu ainda preparar futuras publicações internacionais, estando já a ser discutidas novas candidaturas europeias e oportunidades de financiamento entre os parceiros, que permitam dar continuidade ao trabalho desenvolvido.