Sociedade
Rio Arunca junto a Pombal não terá açude
O leito do rio está a ser desobstruído depois do mau tempo do início do ano. Não haverá comportas no Arunca porque se criaria um espelho de água estagnada cheia de algas verdes
Decorrem trabalhos de desobstrução e regularização do leito e das margens no corredor urbano do rio Arunca, na sequência das intempéries do início do ano.
A meta é melhorar o escoamento das águas superficiais e reduzir a obstrução, para prevenir cheias, informa a autarquia em nota.
Está a ser removido o lixo e os sedimentos acumulados na zona central do leito, cortada a vegetação, de forma selectiva, e aplicadas podas de formação e desrama em exemplares escolhidos nas margens, onde a vegetação ripícola autóctone é para conservar.
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Porque não há comportas no rio?
Segundo o documento divulgado pelo município, não colocar comportas no Arunca tem sido a opção dos últimos anos, assumida com base "em evidência científica e no alinhamento com a estratégia de renaturalização".
Caso fossem instaladas, as barreiras criariam um espelho de água artificial, mas favoreceriam a estagnação, potenciando a eutrofização já observada antes no rio. Esse processo consiste no aumento de nutrientes na água, que estimula o crescimento excessivo de algas e o aparecimento de cianobactérias, podendo levar à morte de peixes por asfixia e ao desaparecimento de espécies.
Ainda de acordo com a mesma nota, a decisão enquadra-se num trabalho que dura há anos.
ntre 2024 e 2025, o município interveio em cerca de 30,5 quilómetros, desde Albergaria dos Doze até ao limite com o concelho de Soure, incluindo o troço final do rio Cabrunca.
A intervenção custou 520 mil euros, financiados pelo Fundo Ambiental, abrangeu 97 hectares e levou à plantação de 15.690 árvores e arbustos autóctones. Na galeria ripícola do Arunca aponta-se a presença de espécies como o salgueiro, o amieiro, o freixo e o carvalho.
As plantas autóctones filtram a água, removendo poluentes e excesso de nutrientes, e dão sombra ao leito, o que mantém a temperatura mais baixa, reduz a evaporação e dificulta o desenvolvimento de algas. Já outras espécies que crescem no leito, como a tábua-larga e o lírio-amarelo-dos-pântanos, absorvem metais pesados.
O resultado tem sido medido pela ocorrência de espécies de animais protegidos como a lontra, o goraz, o guarda-rios e o borrelho-pequeno-de-coleira, sensíveis à qualidade do habitat, indicadora de melhoria, acredita a autarquia.
Entre 2022 e 2024, o Arunca passou por um processo de regeneração natural. Este ano está a ser aplicado um plano de gestão activa, que será actualizado todos os anos, com limpezas e podas selectivas feitas de preferência no Outono, controlo de vegetação invasora e monitorização das linhas de água.
As operações decorrem do Plano Estratégico de Reabilitação das Linhas de Água, o PERLA, que caracteriza o estado de todos os cursos de água do concelho e propõe um plano de acção.
Leia mais: Pombal quer reabilitar o rio Arunca para devolver o curso de água às pessoas
Pombal tem 2.025 quilómetros de linhas de água, dos quais 278 na rede hidrográfica principal, e o plano aponta para um investimento global de 21 milhões de euros ao longo de 16 anos, que o município não irá assumir integralmente.