Opinião

Artes Visuais | A família das Caldas, uma família que se escolhe

23 jan 2026 08:34

Apreciámos, as belíssimas pinturas do Sebastião e do Bartolomeu, e conversámos sobre o trabalho destes dois jovens prodigiosos que, com certeza, desta família também fazem parte

Fui ver a exposição Contranatura de Sebastião Casanova e Bartolomeu Gusmão, com curadoria de Óscar Faria, ao Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. Pensei para mim que não havia melhor exposição para começar o ano. Pode ser visto até ao dia vinte e nove de março, por isso aproveitem, é já ali e vale muito a pena.

A exposição estava a abarrotar de pessoas, a maioria artistas, o vinho e o champanhe eram de qualidade e havia um arranjo floral enorme no meio da sala. Tive oportunidade de falar durante uma hora ou duas com um dos meus escultores portugueses favoritos, um old school Caldas da Raínha, chamado Filipe Feijão. Dizia-me que a comunidade artística das Caldas era como uma família composta pela malta que por alguma razão, por ali vai passando, e que de algum modo se sentem integrados nela. Abrange artistas, estudantes, professores, críticos, curadores, administradores, galeristas, técnicos... enfim toda uma panóplia de diferentes tipos de pessoas que de um ou outro modo deambulam pelo mesmo assunto: a arte, ou digo a “yarte”, como ficou popularizado no fim dos anos noventa. Apreciámos, as belíssimas pinturas do Sebastião e do Bartolomeu, e conversámos sobre o trabalho destes dois jovens prodigiosos que, com certeza, desta família também fazem parte.

Uma das coisas que a meu ver é bastante comum nesta família é o “estilo de fazer à Caldas” que assenta no descompromisso que existe em relação à norma. Assim o título da exposição Contranatura surge-me como muito adequado, não pelas razões que o curador e artistas poderão afirmar, mas porque para mim esta ideia de identidade caldense se trata de ser duma família que se escolhe.