Opinião

Assalto ao castelo

27 out 2026 21:30

A Universal Music à cabeça de uma hidra maldosa de editores e publishers, assalta os agregadores digitais, obrigandoos a retirar álbuns

Enquanto brincamos a se música tem de ser ou não política, em cada concerto um comício, a Universal Music à cabeça de uma hidra maldosa de editores e publishers, assalta os agregadores digitais, obrigando-os a retirar álbuns perante motivos e atribuição de ónus impossíveis a artistas e editoras independentes que se estão a ver muito aflitas para se defender perante este monstro devorador de tostões e milhões.

Começo pelo exemplo concreto dos Moonspell: as regravações do nosso material antigo (1992-1994) compiladas num disco de 2007 (Under Satanæ), da qual temos direitos de master (conseguidos a pulso) e que está, por ora, fora das plataformas por causa de uma alegação de que um dos temas se apropriou de uma gravação de terceiros (surpresa,representados pelos suspeitos do costume). A gravação é, pasme-se, 10 segundos de uma orquestra a afinar, dá vontade de rir, não dá?

Nós já nos defendemos, dizendo que aquilo fomos nós que fizemos a partir de uma gravação original de 1994 de um só violino manipulada por nós, mas até agora, nada. Perda de tempo, de dinheiro, de justiça, tudo isto sem apresentarem a fonte “original” de onde, supostamente, “roubámos”.

Outro caso, semelhante na DistroKid, agregador digital muito representativo de artistas mais “pequenos” é a retirada ilegal do disco Rooted da violinista turca Esin Yardimli Pereira do coletivo TWB /Corda Sonora, por acusações do mesmo género e semelhanças na impotência em reaver os nossos direitos. Desta vez com a ironia suprema de que este disco, bem como o reportório onde assenta o trabalho de Esin, é medieval e estes sons em disputa terem mais de cinco séculos.

Eu sei que fica bem tirar o material do Spotify por questões éticas, só para lá o meter outra vez, o amor é fodido mas a moral ainda é mais, mas em vez de andarmos a brincar ao Nobel da paz e sermos campeões da hiperpolítica de Anton Jäger, também há assuntos do nosso foro que merecem a nossa melhor atenção.

Fica o aviso, de trancas à porta.