Opinião

Coronavírus, Covid-19 e uma grande bagunçada

13 mar 2020 11:24

Esta semana foi um inferno em Portugal, no campo da Saúde e não só.

O Expresso, a minha leitura habitual de fim-de-semana, retirava seguramente uma dúzia de assuntos para escrever: Covid-19 ao deus-dará; Siza pede reflexão à esquerda sobre solução estável (de governo); confiança na Justiça foi abalada de forma grave; Fisco teme destruição de provas no futebol (uma chaga nacional); António Costa entre um SNS frágil e as ameaças de uma recessão, etc. etc.

À hora que escrevo este apontamento, domingo 8 de Março, surge-me no correio electrónico a notícia de que subiu para 30 o número de casos confirmados de infecção por Covid-19 em Portugal.

No dia em que chegar às suas mãos este jornal serão seguramente muito mais.

Esta semana foi um inferno em Portugal, no campo da Saúde e não só. O PM e o longo executivo, que funciona mal, estiveram praticamente ausentes nestes 15 dias. Mesmo a nível do SNS, só se notou a incansável directora-geral de Saúde, o rosto do combate a esta nova praga.

A ministra tem sido um verbo de encher e o nosso conterrâneo, secretário de Estado da Saúde, não dei por ele estes15 dias, para não dizer desde que entrou no governo.

Médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde denunciam falhas graves no plano de combate. Por exemplo, hospitais que souberam pelos jornais que eram referências para a crise; programa de combate às infecções sem director há mais de seis meses; confusão da disponibilidade teórica de meios com as necessidades práticas como se tem visto estes dias.

Em suma, os meios, mesmo anunciados à pressa, acabaram por faltar nos hospitais, principalmente nos maiores hospitais do SNS.

Pergunta um médico especialista experiente nestas coisas como é possível ser hospital de referência por decreto e sem reforço efectivo na capacidade técnica e humana que já se encontra nos limites para o dia a dia.

Sem outra resposta, faz um lamento: A quem tem de lidar cara a cara com o problema resta a velha competência do “desenrasca, das guidelines da sorte e do Deus nos acuda”.

M. Sousa Tavares, na mesma onda, diz: “Vamos confiar na sorte e no optimismo do primeiro-ministro. E, sobretudo, confiar nos médicos enfermeiros e auxiliares. Ou, para quem preferir, na Senhora de Fátima”.

O que está na “moda” agora, e já vem de muito antes do Covid, é ir a qualquer hospital das áreas metropolitanas para um acto médico e voltar para casa com montes de infecções, sabe-se lá uma sarna, uma tinha ou qualquer novidade de Covid em promoção. Abençoado SNS…

PS: O Pavilhão Multiusos parece que vai arrancar. Pronunciei-me jogo na fase inicial do concurso de ideias, que também trouxe uma proposta de localização que era a mesma da localização daquilo que ao tempo seria a (única) grande superfície que Leiria suportava.

Felizmente esta ideia morreu. E vem agora o pavilhão, como já fez no início, propor-se para aquele único espaço central de Leira, que me parece adequado a muita coisa, menos um “mastodonte”.

Leiria tem muita área disponível na sua área urbana. Ideias não faltarão. É só querer…

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