Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 out 2026 11:36

Tao e Gao referem que um data centre hiperescalável típico pode utilizar 11 a 26 milhões de litros por dia, apenas para arrefecimento

A economia digital está cada vez mais dependente dos data centres (ou centros de dados), infraestruturas altamente consumidoras de eletricidade e de outros recursos.

Em setembro de 2026, segundo dados divulgados pela Forbes Portugal, os países europeus com mais data centres eram o Reino Unido (568), a Alemanha (533), a França (393) e a Espanha (219). Portugal apresentava 46.

Os data centres, vitais para suportar a evolução da economia digital e, em particular, da Inteligência Artificial, são responsáveis por diversos impactes ambientais. Consumiram cerca de 1,5% da eletricidade mundial em 2024.

Segundo a Agência Internacional de Energia, este consumo poderá mais do que duplicar até 2030. 

Dependendo do local onde são instalados e da origem da eletricidade que os alimenta, podem também contribuir para as emissões de gases com efeito de estufa. Têm ainda uma enorme pegada hídrica.

Em determinadas regiões, até 57% da água utilizada para arrefecimento pode provir de fontes potáveis.

Tao e Gao referem que um data centre hiperescalável típico pode utilizar 11 a 26 milhões de litros por dia, apenas para arrefecimento.

Segundo Tao e Gao, existem várias medidas que devem ser consideradas.

Em primeiro lugar, aumentar a utilização de fontes de energia renovável para alimentar os data centres.

Em segundo lugar, devem ser priorizadas tecnologias de arrefecimento mais eficientes, que reduzam o consumo de água, bem como soluções para recuperar e reutilizar o calor residual.

Em terceiro lugar, a informação sobre as emissões e outros impactes ambientais destas infraestruturas deve ser pública e transparente.

Finalmente, a localização dos data centres deve considerar a capacidade a capacidade dos territórios em fornecer os recursos.

A localização não pode ser determinada apenas pela disponibilidade de terrenos ou pela proximidade de infraestruturas digitais, tem de considerar o ambiente e os cidadãos.