Editorial
Entregava esta missão a um governo português?
O que está pela frente: algo que nenhum político no activo, provavelmente, alguma vez experienciou em Portugal
Como começou: ventos superiores a 200 quilómetros por hora e alertas que não avisaram para o potencial destruidor inédito ou nem sequer chegaram aos clientes das operadoras de telecomunicações nas horas anteriores ao temporal da madrugada de 28 de Janeiro.
Como está a correr: três meses depois, ainda há zonas sem acesso a internet. Na reconstrução de habitações após a depressão Kristin, inicialmente o conselho de ministros anunciou apoios até 5 mil euros em três dias, agora, o presidente da Câmara de Leiria considera “impossível” avaliar e pagar todas as candidaturas no concelho até ao final de Junho, o novo prazo em vigor (entrevista ao jornal Eco, esta semana).
O que está pela frente: algo que nenhum político no activo, provavelmente, alguma vez experienciou em Portugal. As seguradoras admitem que o volume de indemnizações a nível nacional vai ultrapassar os mil milhões de euros, um recorde. Na primeira semana de Abril, ainda estavam a entrar 500 participações por dia. No total, as companhias receberam mais de 180 mil participações (segundo José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguros, em declarações ao JORNAL DE LEIRIA) e o anterior máximo, nos últimos 20 anos, provocado por um único evento, era de 45 mil participações.
Foi neste contexto que o primeiro-ministro apresentou terça-feira o Programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) que prevê um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros (entre financiamento público, privado e europeu) e um horizonte de nove anos. Será coordenado pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial com o suporte de uma agência especializada.
O primeiro pilar – Recuperar – responde aos prejuízos, superiores a 5 mil milhões de euros. O país sofre da fama de falhar no planeamento, mas até 2034 não pode mesmo voltar “ao antigo normal”, como lhe chama Luís Montenegro. Tem de fazer melhor. Executar.
Será decisivo, por exemplo, o envolvimento das autarquias locais, que deram provas a seguir à tempestade. E nos 50 anos do poder local democrático, o JORNAL DE LEIRIA começa este mês a publicar uma série de entrevistas a presidentes de junta – os primeiros na linha da frente e na ligação com a freguesia.