Opinião
Extramuralhas - 15.ª Edição
Único no panorama nacional, este evento é uma experiência cultural e social onde artistas e público convivem de forma próxima, dando origem a um ambiente ímpar que muitos consideram o mais acolhedor da cena alternativa internacional
De 20 a 22 de agosto, Leiria volta a vestir-se de negro para acolher a 15.ª edição do Extramuralhas, um festival que, ao longo de uma década e meia, conquistou um lugar único no panorama europeu, tornando-se um ponto de encontro privilegiado para quem procura descobrir a diversidade estética da música de matriz gótica e das suas múltiplas derivações.
Organizado pela Fade In – Associação de Acção Cultural, o Extramuralhas distingue-se por cruzar património, cultura e contemporaneidade, ocupando alguns dos espaços mais emblemáticos da cidade, como o Teatro José Lúcio da Silva, o Teatro Miguel Franco, a Igreja da Misericórdia, o Jardim Luís de Camões e a Stereogun.
Único no panorama nacional, este evento é uma experiência cultural e social onde artistas e público convivem de forma próxima, dando origem a um ambiente ímpar que muitos consideram o mais acolhedor da cena alternativa internacional.
A edição de 2026 reúne um cartaz que espelha a diversidade do universo dark contemporâneo, convocando nomes históricos, como Chameleons, IAMX, Moonspell, Eden Synthetic Corps e Selofan, e propostas emergentes provenientes de diferentes geografias e linguagens musicais, como Dina Summer, The Sick Man of Europe, Die Anstalt, Penelope Trappes e Moaan Exis, entre outros.
Do pós-punk ao darkwave, da coldwave ao industrial, do techno ao synthpop, da eletrónica experimental ao neofolk, o festival continua fiel ao espírito de descoberta que sempre o caracterizou. Proporciona encontros improváveis entre gerações, estilos e sensibilidades, reforçando simultaneamente os valores de partilha e liberdade criativa através de um programa em que mais de metade dos espetáculos são de acesso gratuito.
Este ano, o festival assume ainda uma mensagem particularmente significativa. Sob o lema “Genocide Is the Shame of Mankind”, o Extramuralhas reafirma a convicção de que a cultura deve ser também um espaço de consciência, memória e defesa intransigente da dignidade dos povos. A música pode não mudar o mundo por si só, mas continua a ser uma poderosa forma de resistência, reflexão e aproximação entre pessoas.
Quinze anos depois da sua primeira edição, o Festival Gótico de Leiria continua a afirmar a cidade como uma referência europeia da cultura alternativa, demonstrando que esta pode ser simultaneamente exigente, inclusiva e profundamente humana.