Opinião

Mezzo

16 jun 2026 21:30

Tive a sorte de assistir ao concerto coral no âmbito da celebração do sétimo aniversário da Academia Coral Mezzo. É um momento que não esquecerei

No final de maio tive a sorte de assistir ao concerto coral no âmbito da celebração do sétimo aniversário da Academia Coral Mezzo. É um momento que não esquecerei. Vi pela primeira vez o extraordinário Coro Juvenil da Universidade de Lisboa, uma experiência que gostaria de repetir muitas vezes.

O espectáculo foi em Santa Eufémia e arrastou até lá gente suficiente para encher a sala cada um com as suas razões para estar ali. As minhas eram diversas. Principalmente queria, na forma bem tranquila de estar sentado na plateia a ouvir, associar-me aqueles que reconhecem o fantástico trabalho que a Mezzo realiza com jovens e menos jovens.

É uma “associação sem fins lucrativos, constituída (…) com o intuito de promover o desenvolvimento das actividades musicais, culturais e práticas artísticas orientadas para a comunidade em geral”. Ora num tempo em que “uma coisa é dizê-lo outra é fazê-lo” eles conseguem a proeza de fazer mesmo.

Amigos dão-me notícia de outras atividades mas eu só vos posso dar testemunho de uma, os “Pequenos Cantores de Leiria”. Uma intervenção continuada junto das crianças de escolas do 1.º Ciclo conduzida, notavelmente, por Jorge Narciso, Carlos Ferreira e Beatriz Lagoa cujos resultados, por vezes em ambientes onde o trabalho é difícil, são espantosos.

“Pôr-se no lugar do outro”, concentração, atenção, memorização, rigor ou trabalho, que as práticas artísticas por excelência desenvolvem, são palavras desconhecidas em muitos grupos de crianças em demasiadas escolas. Por isso este projeto é ainda mais corajoso e os seus resultados ainda mais surpreendentes.

São coisas que não se traduzem com facilidade por palavras. Ver o Jorge Narciso a trabalhar não se esquece. Há ali um entusiasmo e uma entrega contagiante, uma alegria elétrica que transforma de facto as crianças e os adultos fazendo com que inesperadamente esteja ali um grupo coral de pequenos cantores. É muito bonito.

Se há boas maneiras de distribuir o erário público para apoiar projetos de desenvolvimento da cidadania e das artes a Mezzo é sem dúvida um deles.