Opinião

Música | Additional music by…

16 mai 2020 20:00

Ao percorrermos a longa lista de créditos finais de um filme ficamos, em grande parte das vezes, com a falsa ideia de que por haver apenas um compositor creditado naquele tradicional início mais visível dessa lista,

Ao percorrermos a longa lista de créditos finais de um filme ficamos, em grande parte das vezes, com a falsa ideia de que por haver apenas um compositor creditado naquele tradicional início mais visível dessa lista, terá sido apenas ele/ela a compor toda a música original que escutámos.

No entanto, é muito frequente haver outros compositores a quem é delegado parte do trabalho e que são naturalmente creditados no filme, pese embora sob um título distinto, quase como que num papel secundário, usualmente creditados sob a designação “additional music/score by”.

Não deixando de ser curioso notar que, por vezes, este compositor “adicional” poderá perfeitamente ter um currículo mais vasto que o primeiro e até mais notoriedade na indústria.

Aquando da estreia do recente filme de ficção-científica Ad Astra, de James Gray, tive oportunidade de descobrir um compositor cujo trabalho já escutei em variadíssimos filmes mas que ainda não conhecia pelo nome, o fabuloso escocês Lorne Balfe.

Ad Astra é um exemplo do que falei acima, onde vimos creditado o fantástico Max Richter como autor da trilha sonora e, no entanto, é coadjuvado largamente nesta tarefa por Balfe.

A verdade é que o portefólio deste compositor nascido em Inverness (conhecida como a capital das Terras Altas) é já extenso e incrivelmente invejável, estando creditado em filmes como Mission Impossible: Fallout ou The Lego Batman movie, ainda em séries como The crown (Netflix).

É também vencedor de um Grammy e nomeado nos Emmy e prémios BAFTA. Balfe (44 anos), poderá dizer-se, já criou literalmente música em praticamente todos os estilos e para projectos audiovisuais que vão desde os filmes independentes aos produzidos pelos grandes estúdios de Hollywood.

Ad Astra, para quem ainda não teve oportunidade de ver, segue a longa e tortuosa viagem de um astronauta (Brad Pitt) até aos confins do nosso sistema solar na esperança de reencontrar o seu pai desaparecido e, enquanto isso, deslindar um mistério que aparenta ameaçar a sobrevivência do nosso planeta; é verdade que na sua essência parece já termos ouvido esta história, mas também é verdade que este não é um filme que respeite os cânones habituais de um filme de ficção-científica.

A edição e os efeitos visuais são deslumbrantes, temperados com uma boa dose de efeito alucinatório.

A música, algo abstracta, claro, não fica nada atrás e num crescente climático leva-nos pelos meandros da aparente cumplicidade paternal entre Pitt e Tommy Lee Jones (seu pai) que foi definhando no combate pela quimera científica e existencial deste último.

Por forma a perderem-se nesta viagem espacial alucinante, aconselho-vos a escutarem o belíssimo álbum da banda-sonora deste filme, com o mesmo nome, lançado pela Deutsche Grammophon no passado mês de Outubro.

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