Opinião

Música | Gilmore Girls

20 fev 2026 08:20

Ao longo da série, vamos ouvindo muito do gosto pessoal da sua criadora Amy Sherman-Palladino, que incluiu ainda na banda sonora gente tão variada como Belle and Sebastian, Billy Joel, The Bangles, Fleet Floxes, Arctic Monkeys, The White Stripes, Supergrass, entre muitos outros

O revivalismo tem destas coisas e a série Gilmore Girls, criada por Amy Sherman-Palladino e exibida entre os anos 2000 e 2007, com uma reposição televisiva em 2016, está a fazer outra vez sucesso entre os mais novos. A minha filha, com 12 anos, não perde um episódio das sete temporadas disponíveis na Netflix.

Cheiinha de referências à cultura indie-pop, a série passa-se na pequena cidade-cenário de Stars Hollow, com personagens excêntricos e com o foco virado para a relação entre Lorelai Gilmore, mãe muito jovem e independente e Rory Gilmore, a filha que ambiciona um dia ser jornalista. Lá na América há quem chame a Gilmore Girls um “comfort show”. É bem visto. E muito indie. Também.

Nesta fase da educação, andamos nós pais armados aos cucos a tentar fazer de tudo para que esta malta nova conheça as “nossas” músicas, os “nossos” filmes, os “nossos” livros, as nossas referências, e eis que um dia chegam a casa e perguntam se já vimos Gilmore Girls, uma série que faz um apanhado dessa cultura pop que tanto gostamos – como diria a minha mãe quando via um lugar livre para o carro: “há dias felizes”.

Um dia destes, um dos episódios despertou-me a atenção quando vejo os Sparks a tocar lá na praceta da cidade da série com um dos personagens, o dono da mercearia, a desatinar com eles. Como não apanhei do princípio, a minha filha explicou-me tudo: na praça da cidade existe um tipo a tocar guitarra, o trovador de serviço, que é nada mais nada menos do que Grant-Lee Phillips, vocalista dos Grant Lee Buffalo. Ora bem, enquanto personagem, foi descoberto por um “olheiro” e foi convidado a tocar com o Neil Young, cena essa que leva à cidade imensos artistas à procura da mesma oportunidade. É então que a cidade é invadida por trovadores vindos de todo o lado em busca da fama: Sparks, Sonic Youth ou Yo La Tengo, são alguns desses músicos. Um episódio cheio de “coolness” e muita ironia indie.

Ao longo da série, vamos ouvindo muito do gosto pessoal da sua criadora Amy Sherman-Palladino, que incluiu ainda na banda sonora gente tão variada como Belle and Sebastian, Billy Joel, The Bangles, Fleet Floxes, Arctic Monkeys, The White Stripes, Supergrass, entre muitos outros. E depois há referências nos diálogos aos Smiths, mas cuja música não se ouve porque, segundo consta, alguém não autorizou e/ou ficaria muito caro utilizar. Resta saber se foi o mau feitio de Morrissey ou Johnny Marr a inviabilizar a coisa.