Opinião

Óbvio! Será?

14 jul 2023 11:35

É para mim óbvio tossir para o interior do cotovelo. Mas porque é que deixou de o ser para tantas outras pessoas?

É óbvio que sim. Mas o quê? Aquilo que achamos certo, banal, comum. É óbvio. Mas acontece que o meu óbvio é diferente do óbvio de outra pessoa. Óbvio. Ou talvez não. Diferentes obviedades existem em diferentes situações. E todas elas são distintas em função de quem as vê. É para mim óbvio tossir para o interior do cotovelo.

Mas porque é que deixou de o ser para tantas outras pessoas? Porque a Covid passou? Óbvio que não. Mas não o quê? Óbvio que não passou a Covid ou óbvio que já não é preciso tossir para o interior do cotovelo? Pessoas diferentes, obviedades diferentes. E por isso, é muito importante não nos esquecermos de que o óbvio de um é diferente do óbvio do outro.

Porque enquanto acharmos que algo é óbvio, corremos o risco de obviamente fazer asneira com essa obviedade presumida. Porque o outro não pensa da mesma maneira, não tem o mesmo conhecimento nem a mesma experiência, nem os mesmos princípios ou prioridades. E por isso, obviamente, que o seu óbvio é diferente do meu.

Por isso, é óbvio que temos todos que melhorar a forma como comunicamos, para aproximarmos os vários e diferentes óbvios que existem em torno do mesmo tema. E assim, quando virmos alguém espirrar para sei lá onde, não nos choquemos, porque até nós que achamos óbvio espirrar para o interior do cotovelo, por vezes não conseguimos a ele chegar, quanto mais aquelas pessoas a quem foi dito, ensinado e insistido, meses a fio, que estas e outras medidas de prevenção das infeções respiratórias, que se disseminam pelo ar, serviam apenas e só para a Covid. Era óbvio que ia dar asneira. Porque o óbvio de uns é diferente do óbvio de outros.

E com isto tudo, o que quero obviamente dizer é que na comunicação é muito importante a empatia, o sabermos pôr-nos no lugar do outro, olhar para as coisas com os olhos do outro, para mais facilmente lhe chegarmos e conseguirmos passar a mensagem, óbvia, mas obviamente diversa em função dos diferentes recetores.

Porque comunicar é isto mesmo. Não é só emitir uma mensagem, mas sobretudo, obviamente portanto, atender aos seus diferentes recetores, porque deles depende, muito, o sucesso da comunicação, da mensagem transmitida, e mais importante, da mensagem recebida, que é a que importa.

Está aqui um dos aspetos mais importantes para o sucesso de qualquer medida de saúde. Mais importante que o comprimido que se toma, é o sucesso da conjugação dos diferentes óbvios envolvidos para que o comprimido se tome da forma correta. A comunicação, portanto. Óbvio.