Opinião

Será que já cumprimos o 25 de Abril?

30 abr 2021 15:00

Ano após ano, vamos encontrando motivos para recordar que, passadas estas mais de quatro décadas, ainda existem bastantes motivos de preocupação e dúvidas sobre se cumprimos os princípios e as importantes conquistas de Abril

Confesso que este é um tema que, pelos seus 47 anos, poderia parecer, à primeira vista, ultrapassado por termos sabido interpretar o seu espírito e a sua conquista, e por tudo aquilo que todos os anos se vai, mais ou menos, repetindo.

Desde os seus três D´s – democracia, descolonizar e desenvolver – e passando por toda uma alteração radical daquilo que era o modo de vida duma sociedade fechada e controlada, características duma ditadura, novos horizontes se abriram com a revolução de Abril.

Mas, de facto, ano após ano, vamos encontrando motivos para recordar que, passadas estas mais de quatro décadas, ainda existem bastantes motivos de preocupação e dúvidas sobre se cumprimos os princípios e as importantes conquistas de Abril.

Porque uma democracia com 47 anos já deveria apresentar indícios de maior maturidade e consistência e o que vamos constatando, em várias situações, é precisamente o contrário.

De facto, quando falamos em democracia, para lá dos nossos direitos, também não nos devemos esquecer dos nossos deveres, designadamente de cidadania, sendo preocupante os constantes níveis de abstenção nos vários e sucessivos actos eleitorais, uma grande luta de Abril.

Ou a disponibilidade de tantos para a participação na vida política, a que nível for, desde o que garante maior proximidade à mais alta figura do Estado, pois não nos podemos acantonar no discurso fácil e barato de que está tudo mal e são todos iguais!

Não, tudo devemos fazer para que se cumpram os valores de Abril e se respeite a intervenção de tantos, que duma forma determinada e abnegada garantiram que hoje seja possível eu estar a escrever este artigo de opinião, de forma livre.

Este ano, em que ainda vai ter lugar mais um acto eleitoral importante, eleições autárquicas, faço votos para que se apresentem os melhores a sufrágio, pois o que vamos observando, em muitos casos, é a falta de qualidade a imperar pelo comodismo de muitos que não querem sair da sua zona de conforto.

E para cumprir Abril, também deveria estar garantido um nível de desenvolvimento que fosse igual e equatitativo em todo o País, independentemente da zona geográfica de que possamos falar, deixando cair a inevitabilidade de um País tão pequeno como Portugal estar condenado a ter várias velocidades de desenvolvimento.

Dizer-vos que esta pandemia também veio trazer algumas evidências bem difíceis de assimilar, referenciando uma recente entrevista do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, onde dava conta das inúmeras situações de aflição social, diga-se pobreza ou nova pobreza, num concelho como Cascais, onde até aí se revelam as enormes dificuldades para as famílias.

Numa situação atípica como a que vivemos será injusto, e incorrecto, não ter este ambiente pandémico em grande consideração, mas com toda a certeza que muitas questões são estruturais pois, à boa maneira portuguesa, muitos problemas vão-se empurrando com a barriga para a frente, sem nunca se esperar por situações inesperadas, como é o caso da Covid-19.

Termino, dizendo que ainda não se cumpriu Abril, quando foi possível observar o espectáculo da leitura da decisão instrutória do processo Marquês, por parte do juiz Ivo Rosa, demonstrando a necessidade duma verdadeira revolução na Justiça.

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