Editorial
Uma tenda para os estudantes do ensino superior
Em Portugal cada aluno do ensino superior gasta em média 903 euros por mês. Pouco menos do que o salário mínimo
Frequentar o ensino superior continua a ser um bom negócio. Segundo um estudo divulgado em Maio pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, por cada euro investido obtêm-se, em média, mais 13,7 euros em ganhos salariais ao longo da vida. Por comparação com os trabalhadores que concluíram apenas o ensino secundário, os licenciados recebem, em média, mais 28% e os mestres mais 49%.
As vantagens são visíveis logo no início da carreira e ampliam-se com a experiência profissional. Mas, não é um investimento barato, pelo contrário. Outro estudo, do ISCTE, de 2024, indica que em Portugal cada aluno do ensino superior gasta em média 903 euros por mês. Pouco menos do que o salário mínimo. A fatia com maior peso está relacionada com a habitação e os dados mais recentes partilhados online há um ano pelo Observatório do Alojamento Estudantil mostram que no conjunto do país o preço médio por quarto ronda os 410 euros. As assimetrias são importantes: os valores mínimos e máximos encontrados variam de 100 euros em Castelo Branco até 700 euros em Lisboa. A média, em Leiria, é de 280 euros por mês.
O custo de vida, e em especial o recibo da renda, quando existe, também influencia a decisão no momento de escolher a universidade ou politécnico. É o caso que se conta na página 5: havia média para ingressar numa licenciatura em Lisboa, mas a opção foi ficar em Leiria e evitar despesas acima do orçamento familiar. Os estudantes deslocados gastam, em média, mais 200 euros por mês do que os que estudam na sua cidade, conclui o relatório final de avaliação do sistema de acção social no ensino superior, realizado por investigadores da Universidade Nova de Lisboa e conhecido em Setembro do ano passado.
Mesmo em Leiria, a exigência é cada vez maior. O presidente da Associação Académica da Universidade de Leiria e Oeste explica nesta edição o que aconteceu nos últimos cinco anos: “Haver quartos a 150 euros era normalíssimo. Neste momento duplicou ou até mais”. E acrescenta: “Há estudantes que moram em Coimbra e vêm para a ULO de transportes públicos todos os dias, porque é mais barato do que estar num quarto”.
O problema da habitação já está a contaminar as escolhas dos jovens que seguem para o ensino superior. O alarme do elevador social começou a tocar.