Opinião

Vão assim

5 jul 2017 00:00

O espaço entre epifanias e dormências pode ser uma rica fonte de loucura.

O deslumbrado que faz pose não é bem deslumbrado, assim como o zombie que come cenouras bio não é bem zombie.

Resta-lhes a virtude de não se exaltarem com os extremos, glorificando vergonhas comportamentais balizadas por todos em geral e ninguém em particular, e que não deixam de ser desvios na condição da sua própria normalidade quando esta se intromete na reacção pura. Custa-lhe andar pelo meio do caminho, não se equilibra a Rita.

É muitas vezes a deslumbrada e tantas outras a adormecida e quase nunca é tímida em mostrá-lo. A não ser que seja numa consulta.

Não se atreve a falar assim numa consulta, teme verdadeiramente que seja uma rampa de lançamento para a bipolaridade, acha que é contagioso se se falar nisso muitas vezes apesar de não ter a certeza porque só ouviu dizer, mas tem quase a certeza que, no caso dela, seria.

A Teresa abraça a condição e concorda com o comportamento circunscrito, paternal.

*Músico

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