Entrevista

Margarida Balseiro Lopes: “O objectivo é, até 2029, aumentarmos o orçamento da Cultura em 50%”

9 jul 2026 08:00

Numa entrevista centrada na cultura, a ministra, que também tutela as área da Juventude e Desporto, anuncia um novo reforço de verbas para o sector no próximo Orçamento do Estado

Maria Anabela Silva

Acompanhou de perto os impactos da tempestade Kristin nos monumentos e equipamentos culturais da região. O que mais a impressionou?
O grau de devastação ao qual a cultura não foi alheia. Talvez o que mais me impressionou tenha sido o que aconteceu no Mosteiro da Batalha, pela ligação até afectiva que as pessoas da região têm ao monumento e pela circunstância de a queda das árvores ter feito com que muitos elementos pétreos tivessem sido deteriorados e, em alguns casos, partidos. É um dos investimentos mais significativos que vamos fazer. Até 31 de Agosto, concluiremos os investimentos do PRR e, imediatamente, abriremos os procedimentos para intervencionar o que foi afectado pela tempestade.

Na Marinha Grande, de onde a ministra é natural, os museus e o Teatro Stephens sofreram danos importantes. Tem acompanhado o caso?
Sim. Tem havido conversas com município no sentido de isto constituir uma oportunidade para melhorarmos os modelos de gestão de alguns dos equipamentos. Nenhum está na Rede Portuguesa de Museus. Um dos desafios que fiz ao vereador [da Cultura] e ao presidente da Câmara foi o de candidatar os museus a essa rede porque há instrumentos de financiamento lançados todos os anos, mas que, naturalmente, obedecem a critérios. A rede já tem 175 museus, mas queremos que haja cada vez mais. É um incentivo para que os museus trabalhem também ao nível da programação e das acessibilidades.

O que é que diferencia esta região em termos culturais?
É a sua diversidade cultural, que vai além do património. Naturalmente que os Mosteiros da Batalha e de Alcobaça, até por serem património mundial, têm uma visibilidade por si só, mas temos também um conjunto de municípios, como Óbidos, que, ao longo dos últimos anos, se tem diferenciado pelos eventos culturais. Outro exemplo é a aposta que os municípios do Pinhal Interior Norte têm feito nos produtos endógenos ligados ao território. Tem faltado uma rede que permita que o turismo consiga circular por cada um destes concelhos.

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