Entrevista

Nuno Fonseca, CEO da Sound Particles: “Não temos de ser o Silicon Valley português, mas podemos ser o ‘Lis Valley!’”

1 set 2022 12:30

O fundador desta startup tecnológica nascida em Leiria que trabalha com Hollywood, diz que é estratégico apostar na Informática e no sector digital, que é uma mais-valia para o País

Nuno Fonseca, CEO e fundador da Sound Particles
Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

O que é o Sound Particles e como surgiu a ideia para o criar?
Há vários anos que existe software que permite aos estúdios de cinema criar digitalmente 200 monstros ou mil guerreiros virtuais para uma cena, mas não existia algo que simulasse o som produzido por eles. O que fizemos foi criar um software que trata essa parte. Quando se trabalha na sonoplastia de uma batalha, a abordagem tradicional é agarrar num editor de áudio e começar a juntar um tiro aqui e outro acolá, uma metralhadora, uma explosão e, talvez, ao fim de um dia de trabalho, haverá 50 sons inseridos. Com o Sound Particles, em 15 minutos, pode-se dizer ao programa que queremos dez mil sons espalhados por uma área de um quilómetro quadrado e importar 400 sons de guerra. Em minutos, terei dez mil sons a tocar, em vez de demorar um dia para ter 50. Isso traz vantagens de produtividade, de escala e na qualidade do som, que é muito mais natural e realista. Como foi que isto começou? Tenho uma paixão pelo cinema e, há cerca de 15 anos, apercebi-me que os efeitos visuais mais interessantes usavam sistemas de partículas, uma técnica de computação gráfica onde se cria milhares de pequenos pontos para simular fumo, tempestades de areia, fogo ou pó de fada.... Pareceu-me interessante usar a mesma técnica no áudio e criar milhares de pequenos sons que, juntos, comporiam uma sonoridade fantástica. Mas foi só uma ideia, como tantas outras que temos ao longo da vida.

Como deu o salto para Hollywood?
Em 2012, após ter terminado o doutoramento noutra área e como ainda ninguém utilizava sistemas de partículas para o som, resolvi criar o meu próprio simulador 3D com partículas, nos meus tempos livres. Passados dois anos, como ia a Los Angeles a uma conferência, aproveitei e enviei alguns emails, para cinco ou seis pessoas da área, a explicar que estava a trabalhar neste projecto, que entendia que seria interessante para grandes produções e que iria estar na vizinhança, se estivessem interessados. O primeiro a responder foi o Skywalker Sound, o estúdio de som para cinema criado por George Lucas, aquando da Guerra das Estrelas, e que é, actualmente, o maior e mais conceituado. Convidaram-me a ir ao Skywalker Ranch fazer uma apresentação à equipa de sound design. Fui lá e, em seis meses, dei palestras na Warner Bros., Universal, Paramount, Sony, Fox, Disney/Pixar...

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