Entrevista
Ricardo Paes Mamede: “Uma coisa da qual os governos fogem como diabo da cruz é fazer escolhas”
1 jan 2026 12:04
O economista avisa que para se tornar numa economia altamente sofisticada qualquer país precisa de decisões políticas que priorizem actividades e tecnologias (Fotografia de Rui Miguel Pedrosa)
Tomou posse em Dezembro como novo pró-reitor do ISCTE para o desenvolvimento da colaboração académica com o leste asiático. Ricardo Paes Mamede (nascido em Coimbra, em 1974) é comentador da RTP Notícias e escreve quinzenalmente no jornal Público. Integrou o Conselho Económico e Social entre 2017 e 2020, eleito na condição de personalidade de reconhecido mérito. Doutorado em Economia pela Universidade de Bocconi (Itália), é mestre em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa e licenciado em Economia pela mesma instituição. Lecciona desde 1999 no ISCTE, onde é professor associado do Departamento de Economia Política e investigador membro do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (Dinâmia'CET). Foi presidente da comissão instaladora da Escola de Tecnologias Digitais Aplicadas do ISCTE, presidente da direcção do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, coordenador do Núcleo de Estudos e Avaliação do Observatório do QREN e director de serviços de análise económica e previsão no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia.
Que factores, neste momento, parecem ter maior potencial para influenciar a economia portuguesa em 2026?
A economia portuguesa é sempre muito influenciada por factores externos, dada a dimensão que tem no contexto europeu e mundial. Há um conjunto de variáveis que são sempre muito importantes, que têm a ver com, desde logo, a procura que nos é dirigida por parte dos principais parceiros económicos internacionais, que são os europeus. Há a questão das grandes variáveis macroeconómicas, nomeadamente o nível de taxa de juro, a taxa de câmbio em relação ao Dólar e também o preço do petróleo. Nós tendemos a atribuir as culpas ao governo de serviço ou a elogiá-lo pelo estado da economia, mas a maior parte da economia portuguesa não depende daquilo que o governo faz.
O que é que esses indicadores nos dizem?
Neste momento, estamos numa situação que é relativamente confortável, em que qualquer uma destas variáveis tende a ter alguma melhoria em relação ao passado recente.
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