Economia
“A igualdade é um inimigo do sucesso da organização”
Nexxt Leiria traz oradores à cidade do Lis para falar dos exemplos das suas empresas e das suas vidas
A exigência da justificação que se traz do médico para provar que se foi a uma consulta desapareceu da Leadzai. “No dia em que precisar de ver o papelinho para saber que foste ao médico, deixei de confiar em ti.”
É assim que João Nuno Bogalho, responsável pelas pessoas naquela empresa, explica aos novos colaboradores o nível de confiança que deles é esperado.
Na Leadzai, pede-se apenas uma coisa a quem falta: “avisa a equipa para não a atrasares.” O orador convidado para o Nexxt Leiria, que decorre até dia 31, fundamenta a regra numa ideia simples: “não contrato crianças. Contrato adultos responsáveis.”
Comuns são também os horários, os locais de trabalho e os tempos de descanso geridos por cada um. Bogalho admite que esta abertura trouxe riscos e que houve abusos pelo caminho, mas diz que o balanço não deixa dúvidas.
A quem prefere os métodos tradicionais de funcionamento, endereçou a pergunta: “porque continuamos a controlar? Estamos a dizer aos nossos criativos: tens de ser criativo, mas apenas entre as 9 da manhã e as 5 da tarde… mas será que vocês ainda não acordaram?”
Apesar de incentivar esta liberdade João Nuno Bogalho alerta que um dos maiores erros na gestão de pessoas é tratar as pessoas todas de forma igual.
“A igualdade é um inimigo do sucesso na organização”, defendeu, propondo no lugar dela a justiça e a equidade, indexadas aos valores da empresa.
Antes de criar “políticas em cima de políticas”, convém ouvir quem trabalha e perceber se o problema é estrutural ou caso isolado. Antes de terminar, o executivo ainda desconstruiu um lugar-comum sobre a sua função.
“A gestão das pessoas não é feita pelos recursos humanos. Eles não gerem ninguém. Quem gere são as equipas, são as lideranças.”
Numa edição do Nexxt que questiona onde é a intersecção entre criatividade e caos, a confiança como condição de trabalho reapareceu pela voz da jornalista Mariana van Zeller, que, na série documental Trafficked investiga os mercados negros mais perigosos do mundo, e disse recusar escolta armada nas investigações sobre crime organizado.
“Quero entender a motivação. O entendimento da motivação é a maneira mais fácil de conseguirmos abordar o problema e combater estes mercados.”
Antes de filmar, senta-se com os entrevistados, não fuma, mas partilha cigarros, aceita cerveja, mostra fotografias do filho e pede para ver as deles.
Carlos Oliveira, presidente-executivo da TAP, pôs as pessoas no centro de um problema técnico, comparando o tempo.
Na primeira empresa que criou decidia-se ao segundo, na Startup Braga, o efeito de uma decisão via-se em 15 dias.
No Governo, as decisões estruturantes só dão fruto quando quem as tomou já saiu.
Mas, na TAP, as duas escalas de tempo convivem, entre a urgência da operação diária e o escrutínio permanente de uma companhia que factura 4,3 mil milhões de euros.
“Podemos tomar 20 decisões e cada uma delas é a melhor decisão no momento, mas no todo de um sistema complexo pode não ser a melhor.”
A solução vem pela comunicação e integração da informação, para que se trabalhe soluções para o conjunto e não para a parte.