Sociedade

O mar da nossa costa anda mais quentinho, a ciência explica porquê e convém aproveitar

20 jul 2026 12:30

Situação é temporária e há que desfrutar

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Há que aproveitar a água quente num mar normalmente gélido
Fotografia: Ricardo Graça/Arquivo

Quem tem ido a banhos nos últimos dias já terá notado que a água do mar está mais agradável do que é costume.

O fenómeno, que contraria a habitual frescura do Atlântico na costa portuguesa, não é frequente e tão pouco é tão raro como se poderia pensar.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), há uma explicação meteorológica clara e sazonal e as estas condições podem não durar muito.

Segundo Madalena Rodrigues, meteorologista no IPMA, o aumento da temperatura da água deve-se, essencialmente, à ausência de nortada, o vento de norte característico do Verão português, e à existência de correntes fracas nos últimos dias.

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Sem o vento forte e as correntes que normalmente promovem a mistura das águas profundas, mais frias, com as de superfície, o sol consegue aquecer as camadas superficiais junto à costa.

O efeito é particularmente visível nas zonas mais resguardadas e abrigadas, como a Nazaré, onde a água se mantém parada e retém o calor solar com maior eficácia.

Do norte ao sul, diferenças de três graus

Os dados de monitorização revelam, ainda assim, disparidades ao longo da costa. Em Leixões, os registos rondam os 16 graus, enquanto a bóia de monitorização de Sines aponta para valores na ordem dos 19 graus, uma diferença que confirma o padrão habitual de águas mais amenas à medida que se desce para sul.

Em declarações ao JORNAL DE LEIRIA, o capitão Severino Lourenço, da Capitania do Porto da Nazaré, diz que, naquela praia, há a percepção de que, nestes dias, as águas estão mais quentes, embora a capitania não disponha de dados históricos comparativos com anos anteriores.

O militar da Armada refere uma temperatura de 22 graus. 

De acordo com o IPMA, a situação é temporária e depende da manutenção das actuais condições meteorológicas e mecânica de correntes. 

Por isso, o conselho é: há que aproveitar a “água mais quentinha” enquanto a nortada não arrefece o mar.