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Artes à Vila: três dias de música, património e comunidade

15 jul 2026 09:12

Jorge Palma, Tomás Wallenstein, Ana Lua Caiano, Gabriel Gomes, Puto Bacoco, Lisa Sereno e Thispage no cartaz do festival

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Concerto marcado para sábado no Claustro Real
FB Jorge Palma
Pedro Miguel Carvalho

O Festival Artes à Vila está prestes a iniciar mais uma edição, voltando a ocupar o Mosteiro da Batalha com três dias dedicados à música, ao património e à participação da comunidade.

De 17 a 19 de Julho, o evento reúne artistas consagrados, novas propostas artísticas e actividades para públicos de todas as idades, num cenário classificado como Património Mundial da UNESCO.

Desde 2018, com excepção do ano de 2024, que o Mosteiro de Santa Maria da Vitória é o palco maior deste festival onde o verdadeiro protagonista é o próprio monumento. Um espaço que respira ao ritmo da música, da fotografia e do encontro com os visitantes.

O Artes à Vila não se limita a ocupar o claustro ou a nave gótica: cria pontes entre o património monumental e as várias expressões artísticas, transformando o Mosteiro da Batalha num lugar de comunhão, contemplação e celebração.

Dois palcos, novos talentos

A edição de 2026 apresenta um conjunto diversificado de artistas que irão actuar nos dois palcos do festival: Palco Play Tradicional e Palco Emergentes GDA. Entre os nomes confirmados estão Jorge Palma, Tomás Wallenstein, Ana Lua Caiano, Gabriel Gomes, Puto Bacoco, Lisa Sereno, Thispage e Os Mimos, reforçando a aposta do Artes à Vila na música portuguesa, na criação contemporânea e na descoberta de novos talentos.

O programa integra igualmente exposições, oficinas, actividades para famílias e visitas guiadas ao Mosteiro, num conceito que promove o diálogo entre música, tradição e memória. Este ano, as exposições ganham um registo particularmente humano: retratos dos habitantes da Batalha e um olhar fotográfico sobre as mais diversas profissões da região, uma forma de fixar no tempo a identidade de uma comunidade.

Há ainda uma novidade: o Artes à Vila criou um concurso para procurar novos artistas de raiz tradicional. Este ano, concorreram cerca de meia centena de projectos tradicionais, prova de que a tradição não é coisa do passado, mas matéria viva que continua a germinar. Em paralelo, o festival promove uma oficina de canções tradicionais para ensinar cantigas às crianças, garantindo que a memória oral não se perde nas gerações mais novas.

Inclusão e participação

O Artes à Vila reforça este ano o seu compromisso social, convidando instituições da região a levar gratuitamente os seus utentes aos concertos de Tomás Wallenstein (num formato intimista ao piano) e de Puto Bacoco. Uma iniciativa que pretende aproximar a cultura de públicos que habitualmente enfrentam maiores barreiras de acesso.

Destaque especial para o “Guardião da Tradição”, que serve para mostrar e enaltecer a invisibilidade de certos intervenientes fundamentais: seja um construtor de instrumentos, um divulgador ou um investigador de música tradicional. Porque a cultura não se faz só de palcos e holofotes; faz-se também de quem, em silêncio, mantém vivas as raízes.

O Artes à Vila cresceu e cimentou-se sem nunca esquecer o lugar que o viu nascer: o Mosteiro na vila da Batalha continua a ser o mesmo, mas, de ano para ano, o festival respira de outra maneira.